Quote - Ciranda de Pedra / Lygia Fagundes Telles

| 17 janeiro 2018 | 0 Comentários |

"devia ser fácil desfazer-se também das sucessivas Valérias nas quais se desdobrara desde a infância, desfazer-se da menininha, principalmente da menininha de unhas roídas, andando na ponta dos pés. Agarrar-se só ao presente, nua de lembranças como se acabasse de nascer. Via agora que jamais poderia se libertar das suas antigas faces, impossível negá-las porque tinha qualquer coisa de comum que permanecia no fundo de cada uma delas, qualquer coisa que era como uma misteriosa unidade ligando umas às outras, sucessivamente, até chegar à face atual. Mil vezes já tentara romper o fio, mas embora os elos fossem diferentes, havia neles uma relação indestrutível. E o fio ia se encompridando cada dia que passava, acrescido a cada instante de mais uma parcela de vida. Chegava a senti-lo dando voltas e mais voltas em torno do seu corpo numa sequencia sem começo nem fim..."


p.s: [só troquei a Virgínia do texto por Valéria...]


A metamorfose de Kafka por Peter Kuper

| 15 janeiro 2018 | 0 Comentários |
Recentemente adquiri um quadrinho que já havia lido uns anos atrás, em tempos de visita à biblioteca da faculdade, e finalmente possuo agora um exemplar em meu acervo. Trata-se de uma adaptação da obra mais famosa de Franz Kafka, feita em quadrinhos pelo americano Peter Kuper

Dono de um traço vigoroso e em preto-e-branco, cheio de sombras e contrastes que tornam a obra ainda mais sombria, a própria trama tem ares mórbidos ao retratar um diferente amanhecer na vida de Gregor Samsa, que seria a partir dali um divisor de águas em sua existência vazia: a manhã que ele acorda transformado num inseto. 

Uma publicação compartilhada por Maria Valéria - TorporNiilista (@psychokillerstrange) em

Achando ser um pesadelo, lentamente ele começa a perceber sua nova condição e logo o desespero lhe bate à porta, acompanhada do gerente de seu emprego, que foi a sua procura a fim de saber o motivo do atraso do caixeiro viajante. Sua família se atordoa ao descobrir a nova condição daquele que provem o sustento da casa e a partir desse episódio, as coisas se modificam de maneira drástica e infeliz em sua agora [?] insignificante vida. 

A metamorfose retratada por Kuper tem ares do expressionismo alemão, aliado ao estilo norte-americano das graphic novels. O conto é considerado a obra-prima de Kafka e merecia uma adaptação à altura, conseguido com grande talento pelo quadrinista. 

Interessante apontar que a obra pode agradar tanto aqueles que já leram a história original quanto aqueles que se sentirão despertados em conhecê-la após a leitura do quadrinho...


É uma história bizarra, que beira o horror mas que traz uma reflexão profunda acerca de nossa condição como humanos em sociedade, o quanto somos úteis e até que ponto servimos ao nosso 'ao redor'. Trata do abandono, da futilidade da existência e dos questionamentos que fazemos a nós mesmos sobre a rotina que esmaga nosso dia-a-dia, em profissões vazias, em relacionamentos supérfluos e seios familiares repletos de falsas convenções. O horror perante o diferente. A aceitação-negação das aparências que fogem ao comum... 

A metamorfose foi brilhantemente trabalhada em formato de HQ, tornando real nossa visualização mental ao longo da leitura...

Trocando olhares: a poesia dolorida de Florbela Espanca

| 12 janeiro 2018 | 1 Comentários |
Florbela Espanca é um dos grandes nomes da poesia lusitana do século XX. Tendo uma vida atribulada, soltou em pilhas de versos suas dores mais profundas, criando com maestria sonetos que conduzem o leitor por uma trilha de desalento, poética e melancolia...


Cantada até pelo artista Fagner, Florbela nasceu em 1894 e viveu apenas 36 anos, morrendo no dia de seu aniversário... Teve alguns casamentos conturbados, era filha ilegítima de seu pai, teve um irmão que faleceu poucos anos antes dela vir a deixar o mundo... Sua produção literária não é tão vasta, mas tornou-se imortal pelo poder de suas palavras. 

Trocando olhares é uma publicação da Editora Martin Claret, e reúne os poemas de Florbela do início de sua produção poética. Trocando olhares é uma espécie de alicerce do que viria a ser escrito posteriormente, como Livro de Mágoas e Charneca em Flor. Os poemas contidos nessa edição datam entre 1915 e 1917. 

"Escreve-me! ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me! Há tanto, tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu, já e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração

"Amo-te!" cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas... serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade..."

Ao final da edição, ainda temos alguns dados biográficos sobre a poetisa, bem como algumas fotografias dela e seus parentes. O manuscrito Trocando olhares foi comprado por um empresário português, que publicou as obras completas de Florbela, além de um acervo contendo cartas, postais e afins. Contudo, o manuscrito acabou sofrendo alterações. 




Retrospectiva Musical 2017

| 11 janeiro 2018 | 18 Comentários |


Não costumo falar muito sobre música por aqui, mas resolvi mudar um pouco isso e vezemquando trazer pro blog o que eu ando ouvindo, já que algumas pessoas se mostram curiosas sobre meu gosto musical... Então, resolvi fazer uma retrospectiva das músicas/artistas que descobri em 2017 que não saíram da minha playlist... 

Acho pertinente comentar que não foram apenas essas músicas que ouvi repetidamente, mas foram artistas que descobri no decorrer do ano, e ouvi outras canções deles, embora tenha me fixado nessas que estou listando abaixo...

L'amore esiste, da cantora italiana Francesca Michielin. Conheci esta artista por causa de uma música que Amy Lee lançou em fevereiro, em homenagem ao Dia dos Namorados. Curiosa, fui ouvir a versão original em italiano e simplesmente me apaixonei. Ouvi até o play dar ERROR#31



Por indicação de um amigo, escutei Sign of the times do Harry Styles já no final do ano, e nem sabia que se tratava de um ex-membro da banda One Direction. Também não sabia que a música era parte da trilha sonora de 13 reasons why. A letra é maravilhosa e envolvente. Não canso de ouvir.



Já quase entrando em 2018 descubro a voz da incrível Bárbara Eugênia, fazendo um cover de uma música que gosto bastante, tocada nos anos 70 [da artista Diana]... Por que brigamos? ganhou uma roupagem maravilhosa por parte de Bárbara e não canso de colocar no repeat...



Living on the Outside é a música que tocava nas sugestões do Spotify e eu não sabia que se tratava de um cantor brasileiro, Bruno Martini. A pegada 'baladinha' me encantou... 



Dope Lemon foi uma descoberta psicodélica enquanto eu procurava vídeos do Velvet Underground no youtube... Uptown Folks tem uma sonoridade deliciosa, que remete os anos do Woodstock...



Conheci uma cantora turca através do twitter que um garoto falou a respeito do som, que era viciante. Curiosa como toda boa sagitariana, lá estava eu após alguns minutos dançando ao som de Bangir Bangir, um hit delicioso que faz qualquer um remexer as cadeiras... Pena que eu não sei pronunciar o nome da cantora - Gülşen - e não dá pra cantar as músicas, porque turco né, pessoas? TURCO. hahahaha



Então, essas foram algumas das descobertas musicais de 2017 que entraram definitivamente em meu apurado gosto musical... Gostaram do post? Querem ver mais sobre minhas preferências musicais por aqui?  


Me sigam pelo Last.fm ou no Spotify... 


as 13 melhores leituras de 2017...

| 10 janeiro 2018 | 12 Comentários |
Cá estou trazendo para vocês uma lista que fiz dos melhores títulos lidos no ano de 2017. Fiz muitas leituras interessantes, mas algumas delas me impactaram de maneira espetacular...


Minha estreia com o autor  Eduardo Galeano se deu da melhor maneira. O livro dos abraços foi uma das leituras iniciais do ano, ainda durante minhas férias... Fiz resenha dele aqui.

Ainda no campo dos escritores latinos, minha surpresa com o autor Carlos Fuentes e seu livro Aura me fez querer ler mais de sua obra. Também resenhei por aqui...

Para encerrar os latinos, nada como um Gabo para chamar de meu. Memória de minhas putas tristes foi lido durante o feriado de Finados, e que narrativa deliciosa e envolvente. Gabriel García é um dos meus preferidos da vida... ♥

Uma leitura que dou destaque no gênero teatro, e foi uma das últimas do ano foi com o livro Adultérios, do cineasta Woody Allen. A obra me rendeu boas risadas, certo amargor e me fez levantar questionamentos... A escrita de Allen em muito se assemelha aos diálogos construídos nos roteiros de seus filmes, e confesso que visualizei cada conto do livro de maneira pitoresca, divertida...

Amor foi uma leitura de pequenos devaneios do escritor Rubem Alves, numa edição daquelas que carregamos à tiracolo quando queremos ler algo que nos conforte. Sempre me pego revisitando suas páginas, relendo meus muitos grifos...

Li alguns quadrinhos interessantes, mas nada se compara a crueza de Joe Sacco em Reportagens, que recebi em parceria com a Editora Companhia das Letras e uma leitura que fiz online do título Criaturas da Noite, de Neil Gaiman. Me impressionaram pelo traço, pela narrativa, enfim... o conteúdo completo. Para mais detalhes, é só clicar nos nomes e vocês serão encaminhados para as postagens em que falo a respeito de ambos...

Muitos sabem que meu ponto fraco são as leituras de horror. E ainda representando os quadrinhos lidos, destaco Creepshow, de Stephen King, publicado recentemente pela Editora DarkSide Books. Em breve haverá resenha dele no blog, a postagem já foi programada... Fiquem de olho... 

Ainda sobre King, destaco a leitura que fiz de Cujo. Conhecia a história através de sua adaptação dos anos 1980 e aproveitei a nova edição pela Suma de Letras para solicitar e apreciar à história... Mais uma vez, o autor se mostrou genial em conduzir uma trama que nos leva a um desfecho de nos deixar boquiabertos. Cliquem no título do livro pra ler a resenha ;)

No rol do horror, ainda menciono o clássico Carmilla, de Sheridan le Fannu. Um intrincado relato vampírico que não fica atrás do consagrado Dracula, tendo servido inclusive como inspiração para certos elementos do mesmo...

Comecei [e não concluí] um projeto de leitura com a série Livros de Sangue, de Clive Barker. Apesar de eu ter fracassado na leitura de todos os volumes, ainda li os dois primeiros, e minha menção honrosa vai para o livro 1, que já deu mostras do poder que a escrita de Barker possui...

Sobre as lendas pernambucanas, li duas edições interessantes sobre o tema: Almanaque pernambucano dos causos, mal-assombros e lorotas, de Roberto Beltrão e Rúbia Losso e a edição que ganhei de um amigo Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre. 



Li outros títulos que me agradaram, mas não poderia aumentar a lista, embora tenha falado de vários deles ao longo do ano... Ademais, foram leituras que me enriqueceram, me deixaram reflexões, me encantaram, assustaram e fascinaram. Ok, chega de adjetivos...

Que agora em 2018 fique ainda mais difícil reunir 13 bons títulos, pois haverão de ser mais que esse número para me deixar de queixo caído ao virar de páginas...


Uma publicação compartilhada por Maria Valéria - TorporNiilista (@psychokillerstrange) em



† Tradutor... †

† Estou lendo...†

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