Mulheres suicidas na literatura... [Setembro amarelo]

| 22 setembro 2016 | |
Venho através deste post apresentar algumas poetas/escritoras que tanto admiro e que infelizmente partiram dessa vida por suas próprias mãos... Já havia falado de algumas aqui antes, ou resenhado alguma de suas obras, mas dessa vez preferi falar um pouco sobre a vida de cada uma delas, não focando em um livro em específico...


Anne Sexton foi uma escritora e poeta americana, nascida em 1928 e que aos 45 anos, em 1974, pôs fim a sua existência por intoxicação por monóxido de carbono, ao trancar-se na garagem e ligar o motor do carro... Desde jovem já aparentava ter problemas psicológicos que só se agravavam com o passar dos anos... Muito de sua obra é sobre suas crises de depressão e poesia com tons confessionais. Conheceu um terapeuta que a incentivou a escrever. Já na década de 1960, suas crises passaram a afetar sua vida profissional, mas apesar disso, ainda não havia desistido e continuava publicando seus textos, chegando até a publicar quatro obras infantis, em co-autoria com uma amiga, Maxine Kumin

Além da depressão e suicídio, temáticas como masturbação e adultério figuravam entre seus escritos. Um dia antes de sua morte, almoçou com Maxine para revisar o texto de um livro que só seria publicado após sua morte... Algumas de suas obras memoráveis são Love Poems, Mercy Street e The death notebooks... 



Sylvia Plath, americana de Massachussets e nascida em 27 de outubro de 1932 foi poetisa, romancista e contista. A redoma de vidro é um de seus livros mais conhecidos e funciona como uma espécie de autobiografia. Assim como Sexton, também fazia uso da poesia confessional em suas obras... Tentou o suicidio tomando uma dose de narcóticos, ainda em seus primeiros anos na escola, na década de 1950. Chegou a ser tratada com eletrochoques quando internada numa instituição psiquiátrica. Em 1955 ela se casa com o britânico Ted Hughes. 

Um aborto que sofreu teve certa influência em sua obra a partir dali. Chegou a frequentar os mesmos seminários do poeta Robert Lowell, que Anne Sexton participava. Vivendo já na Inglaterra, seu casamento começa a ruir e ela se separa, indo morar com os dois filhos no apartamento que futuramente seria seu local de falecimento... Poucos meses após a separação, ela tranca os filhos no quarto, vedando as entradas da porta e se dirige a cozinha, deitando a cabeça no forno depois de ligar o gás e tomar remédios para dormir... Ela ainda teve o cuidado de deixar comida para as crianças, além da janela aberta, apesar da forte nevasca. No dia seguinte, a enfermeira que havia contratado a encontra morta... Sylvia teve seus diários publicados, hábito que mantinha desde os 11 anos... Curioso que seu filho se enforcou em 2009,  também depressivo, não deixando filhos...


Em 25 de janeiro de 1882 nascia Virginia Woolf, autora e poeta das mais influentes no movimento modernista. Ao Farol, Orlando e Mrs. Dalloway são suas principais obras... Em 1915 estreia na literatura, frequentou o meio literário desde cedo, devido a educação dada por seu pai. Em 1941, depois de escrever um bilhete de despedida para seu marido, com quem casara em 1912, vai até o rio próximo a sua residência, enche os bolsos de seus casacos com pedras e afoga-se, sendo seu corpo encontrado apenas 3 semanas mais tarde... Durante sua curta vida,  fundou uma editora com Leonard, onde publicou alguns de seus livros. Sofreu alguns colapsos mentais que vieram a contribuir para seu estado depressivo... Tinha 59 anos, quando de sua morte. 


Ana Cristina César, carioca, faleceu em 1983, ao se jogar do sétimo andar do apartamento de seus pais; tinha 31 anos. Foi poeta e tradutora brasileira e fez parte da Geração Mimeógrafo, tendo sua poesia classificada como Marginal. Viveu um período de sua vida em Londres e cursou Letras na PUC-RJ. Sua linha literária beira o ficcional e autobiográfico. Suas principais publicações são Luvas de Pelica, A teus pés e Cenas de Abril. Recentemente, a editora Companhia das Letras lançou o título Poética, contendo a obra completa de Ana C.


Um dos nomes mais influentes da poesia lusitana é o de Florbela Espanca, aquela que nasceu e morreu no mesmo dia, em 08 de dezembro, com a idade breve de 36 anos... Sua dor e melancolia pôde ser extravasada através de seus sonetos e poesias... Nasceu em Alentejo, como filha bastarda de Antónia da Conceição Lobo e João Maria Espanca. Datando de 1903, surgem suas primeiras composições poéticas. Frequentou o curso secundário em Portugal, sendo uma das primeiras mulheres a realizar tal intento na época. Na juventude apresentou sintomas de neurose. Casou três vezes ao longo da vida, perdeu seu irmão Apeles em 1927 e seu estado mental a partir daí se agravou. Tentou o suicidio por três ocasiões, obtendo sucesso na última, em 1930...

Suas principais obras são Charneca em flor, Livro de Mágoas e Livro de Sóror Saudade. 




15 Comentários:

Morgana Brunner Says:
23 setembro, 2016

Oiii Maria, tudo bem?
Eu fiquei chocada por causa da Virginia, realmente nunca me veio na cabeça de pesquisar o motivo de sua morte e aqui encontro em blog isso, realmente fiquei bem triste, ela era incrível e até hoje faz uma bela diferença, as outras autoras eu conhecia por nome apenas, ainda não tive oportunidade de ler, sua postagem foi incrível.
Beijos

Ana Luiza Ferreira Says:
25 setembro, 2016

Oi Val,

que post incrível! É uma tristeza ver que mulheres tão talentosas tiraram a própria vida, mas também é importante falar sobre elas e todos os outros que cometem suicídio, para que o assunto deixe se tão tabu e as pessoas começam a perceber a importância do tratamento de doenças como depressão e da prevenção ao suicídio!

Beijos!
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Leitora Compulsiva Says:
25 setembro, 2016

Oi, Val!
Adorei a postagem! Estou muito emocionada com esse Setembro Amarelo porque estou passando por um momento muito difícil e acredito que a solidariedade das pessoas é uma ótima forma de ajuda.
Conheço as obras da maioria das autoras que você citou aqui e sempre fiquei muito triste ao descobrir a respeito dos suicídios delas.
Pretendo conhecer Ana Cristina César e Anna Sexton que desconhecia.

Cia do Leitor Says:
28 setembro, 2016

Caramba! Quanta fim trágico. Mulheres que tinham uma vida incrível atirando-se contra a própria fraqueza e levando consigo a vida. Que coisa triste e chocante!
Matéria incrível e bem escrita. Parabéns!
Abs
Ni
Cia do Leitor

Karine Fernandes Says:
28 setembro, 2016

Nossa eu fiquei em choque com algumas relatadas aqui, e triste ver isto né? Eu entendo a depressão já que sofro disto a alguns anos. Mas é triste quando lemos como essa doença pode afetar mais do que gostaríamos né?
Parabéns pela iniciativa de mostrar mais sobre elas.

Beijos.

Livreando Says:
28 setembro, 2016

Oi Maria,
Que post maravilhoso esse seu. Confesso que fiquei de boca aberta por tantos prodígios como essas autoras optarem por esse fim. É muito triste, e fico imaginando o tormento diário que deveriam passar.
Bjim!
Tammy

Gleyse Vieira Says:
29 setembro, 2016

Oi Val, eu quis fazer post sobre o setembro amarelo, mas com a maratona nacional, acabei ficando sem tempo e espaço para isso. Adorei a postagem, apesar de tratar de algo tão trágico como é o suicídio, foi bacana saber mais dessas mulheres e conhecer algumas que não conhecia, como o caso da Ana Cristina César. Parabéns. Bjs

Isabella Marques Says:
29 setembro, 2016

Gostei bastante da idéia do post e apesar de não ter lido obras de nenhuma delas fiquei tocada principalmente com a história da Sylvia Plath... impressionante como o suicídio marca a vida das pessoas que o presenciaram (o filho por exemplo.
Bjs

Yohana Sanfer Says:
29 setembro, 2016

Adorei, Maria valéria! Grandes nomes e de sensibilidade e talento admiráveis! Se hoje o suicídio é ainda um tema delicado, imagine no tempo delas. Bela homenagem ao Setembro amarelo!

Bjs,
Yohana Sanfer
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Thatyane Says:
29 setembro, 2016

Oi, que mulheres incriveis na literatura e que morreram jovens e de forma abrupta, pois eram geniais, com suas historias, porém, não aguentaram a dor que carregavam no peito e acabaram com a propria vida. Que perda para a literatura, mas pelo menos elas fizeram ótimas contribuições para o mundo literário e são hoje em dia reconhecidas como grandes nomes desse mundo. Ótima postagem.
bjus

Vanessa Ferreira Says:
29 setembro, 2016

Olá!
Amei a forma como você abordou essa campanha do setembro amarelo, ficou bem diferente e super legal. Gostei muito de ler esse post.
Beijocas.

meumundosecreto

Blog Ensaiando Says:
30 setembro, 2016


Muito interessante o post! É uma pena ver que algumas se foram tão cedo. Beijos e sucesso para o blog!

Carolina Gama

Danielle Rodrigues Casquet de Melo Says:
03 outubro, 2016

Olá Valeria gostei muito desse post! Essas escritoras são extremamente inteligente e muito incompreendidas, ainda mais na época em que nasceram . Já li Virgínia Wolf e senti a carga da escrita dela, e pretendo ler mais obras. Gostei de conhecer as demais autoras. Bjkas

Faces em Livros Says:
03 outubro, 2016

As poetisas que revolucionaram o fazer Literário! Acredito que as histórias mais tristes foram a de Florbela Espanca e Virgina Woolf!
O conto O aviador de Florbela Espanca marcou a minha vida. O clássico O Morro dos ventos uivantes abriu os meus olhos para a literatura clássica.

Lê Lendo Lido Says:
03 outubro, 2016

Ameeei o post!
Gosto muito da Florbela Espanca e da Virginia Wolf. As outras não conheço, mas com certeza quero conhecer mais sobre eles.
Bjus

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