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"Deixai toda esperança, ó vós que entrais!" Inferno. A divina Comédia [Dante Alighieri]

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João e Maria versão Gaiman...

Em 2015 a Editora Intrínseca lança uma releitura de João e Maria pelo ponto de vista sombrio do aclamado Neil Gaiman, com desenhos de Lorenzo Mattotti. João e Maria é um dos contos de fadas mais famosos do mundo. Existem versões variadas e é contada ao longo dos séculos, trazendo temas pesados mas que sofreram modificações ao longo do tempo a fim de não assustar as crianças que ouviam essas fábulas... 

Canibalismo, abandono pelos pais, fome... Gaiman consegue passar tais assuntos com uma carga que eu consideraria 'leve', mas as ilustrações de Mattotti conseguem manter o tom sombrio da história... Os protagonistas são irmãos que acabam sendo deixados na floresta para morrer de fome [ou tentarem a sorte de sobreviver] pelo pai, lenhador que há um bom tempo já não conseguia suprir as necessidades da família. É com pesar que ele acata a ideia da esposa, mãe das crianças. Ela é mais pragmática e fria com relação aos filhos, por isso sugere a ideia de abandoná-los na floresta a fim de 'aliviar' duas bocas nas despesas... 

João e Maria até que conseguem voltar para casa na primeira tentativa, para alívio do pai, mas logo ele precisa deixá-los novamente, e dessa vez as coisas se complicam para os dois irmãos... Porém, logo surge uma 'esperança' em algum ponto da floresta... Mas essa aparente salvação pode não ser o que eles realmente precisam... 

Não há tantas variações no conto mais conhecido para a adaptação de Neil Gaiman, por isso o leitor não deve ir com tanto entusiasmo achando se tratar de algo inédito. Mas a título de nostalgia a obra é uma bela aquisição, ainda mais para os fãs do autor... As ilustrações de Lorenzo Mattotti são um show a parte... Ao final da edição há um pequeno texto que fala sobre as transformações que as fábulas sofreram ao longo dos anos, uma interessante contextualização histórica... Vale a pedida...

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Poemas, de Stéphane Mallarmé

Aliado à musicalidade, o pensamento do poeta francês Stéphane Mallarmé nos dá uma mostra da poesia moderna do século XX. Lançado numa edição bilíngue e pocket pela Saraiva de Bolso, Poemas foi uma das últimas leituras que realizei esses dias...

A linguagem de Mallarmé é vigorosa, tanto no verso quanto na prosa. A obra apresenta as traduções de seus poemas em francês além de notas explicativas a cada soneto/poema, ambientando o leitor durante a leitura... A tradução feita por José Lino Grünewald foi acurada. 

O simbolista Mallarmé nasceu em Paris no ano de 1842 e em boa parte de sua vida foi professor de inglês. Em 1860 surgiram seus primeiros poemas. Traz em seus versos uma clara referência a obra de seu conterrâneo Charles Baudelaire, e sua obra acabou inspirando outros poetas, como o americano T. S. Eliot. 

Um de seus poemas mais conhecidos é Um lance de dados, adotado pelo movimento de poesia concreta, marcando uma nova perspectiva espacial no gênero, pois rejeita o verso metrificado bem como a forma fixa de composição. Sua escrita é hermética, por vezes incompreensível, estimulando o leitor a tentar entendê-lo em suas minúcias. 

Estão presentes neste volume de Poemas o soneto Salut [Brinde], Poemas em prosa, Igitur ou A loucura de Elbehnon e Escólios. Toda a obra é comentada, tanto em francês como em português. 

"Ele se deita no túmulo.
Sobre as cinzas dos astros, as indivisas da família, estava o pobre personagem, deitado, após haver bebido a gota de nada que falta ao mar. (O frasco vazio, visão, loucura, tudo o que resta do castelo?) O Nada tendo partido, resta o castelo da pureza."

"Il se couche au tombeau.
Sur les cendres des astres, celles indivises de la famille, était le pauvre personnage, couché, après avoir bu la goutte de néant qui manque à la mer. (La fiole vide, folie, tout ce qui rest du château?) Le Néant parti,  rest le château de la pureté."

 
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A poesia folk de Bob Dylan - Letras [1961-1974]

Vencedor do Prêmio Nobel 2016, Bob Dylan é um aclamado compositor, poeta, músico e cantor americano. Ao longo da década de 1960/1970 lançou álbuns icônicos que entraram para a história da música popular americana, o Folk. Canções que retratam o cotidiano, o amor, críticas a política, à guerra do Vietnã e ao racismo... Bob Dylan aborda problemas sociais com uma linguagem poética, acompanhada de arranjos musicais que - a cada álbum - mostram-se bem trabalhados... 

Letras (1961-1974) publicado recentemente pela Companhia das Letras, abarca essas duas décadas da produção musical de Bob, que se estende até hoje. Um dos artistas vivos que mais contribuem para a música, sendo referência para novos cantores e bandas do gênero. 

A mudança na sonoridade de Bob Dylan pode ser identificada de maneira gradual, ao longo dos anos, álbum a álbum. Dylan acompanha as mudanças histórico-sociais de seu tempo e isso se reflete em suas melodias e letras. Dylan não teme apostar alto, sua inquietude é quase uma amostra do que está por vir nos noticiários. Sua crítica é atemporal.




Em poucos versos ou numa canção inteira há toda uma história, personagens que poderiam ser facilmente retirados da música e vivido tudo aquilo ali descrito. Talking New York é sobre alguém que chega na cidade e não é engolido por ela. Carregar sonhos na mala, rumo ao desconhecido. Perceber a real condição da dura realidade. Retornar ao 'lar doce lar'... Blues falado da paranoia John Birch fala da paranoia do comunismo em plena Guerra Fria. Trata-se de uma verdadeira sátira ao anticomunismo que a Doutrina Truman trouxe à geração 'american way of life'... 

"Agora todo mundo concorda com as opiniões de Hitler
Apesar dele ter matado seis milhões de judeus
Nem importa tanto assim ele ter sido fascista
Pelo menos não dá pra dizer que ele era comunista!"

A morte de Emmett Till é um verdadeiro tapa na cara do racismo e política de segregação racial americano. Bob critica o racismo e a Ku Klux Klan numa letra politizada, crua e sem preâmbulos...

"Eu vi os jornais do dia seguinte, mas não aguentei olhar
Os irmãos sorridentes descendo a escada do tribunal
Pois foram considerados inocentes e saíram em liberdade
Enquanto o corpo de Emmett boia na espuma de um lar sulista de racismo."

Há metáforas na letra de Long ago, far away, em que a sociedade brada fraternidade mas na verdade pratica guerra. Há ironia em suas canções. Denúncia de injustiças, desigualdades sociais, violência. Em alguns períodos, suas letras refletem muito da geração beat. Train A-Travellin' critica as instituições religiosas. Masters of War traz uma crítica feroz aos governantes que assistem de seus gabinetes os corpos tombarem pelas causas políticas deles...

"Vocês encaixam os gatilhos
Pros outros dispararem
Aí relaxam e observam
Quando os mortos se acumulam
Vocês se escondem nas mansões
Enquanto o sangue dos jovens
Escorre dos seus corpos
E se enterra pela lama."

No álbum The times They are a-changin' as letras falam de racismo, pobreza e mudança social. As 10 composições são um 'hino à mudança'. O gênero evidenciado é o Folk. Nota-se uma evolução no pensamento social e no comportamento. O novo dá lugar ao obsoleto. The times é considerado por alguns críticos como sendo uma obra que gerou um 'conflito de gerações'.  Uma de suas letras mais impactantes é a de With God on your side, que diz "os livros de História contam./ Eles contam tão bem/ As cavalarias deram carga/  os índios tombaram/os índios morreram/Ah o país era novo/Com Deus do seu lado." Em outro trecho ele diz: "Quando a  Segunda Guerra/Chegou ao fim/Perdoamos os alemães/E ficamos amigos/Apesar de terem matado seis milhões/ Fritos nos seus fornos/ Os alemães também agora/ Estão do seu lado." 

Contextualizando historicamente a letra acima, entramos na Conquista do Oeste, na matança dos povos pré-colombianos da América do Norte, em nome do progresso da Nova Inglaterra... E também uma observação sobre a ajuda financeira que os americanos deram à Alemanha depois de terem cometido o Holocausto judeu na Segunda Guerra. [Bom frisar que Bob Dylan é judeu...]...

Temos referência a obra de William Blake na letra de Gates of Eden, a F. Scott Fitzgerald em Ballad of a Thin Man, alusões bíblicas em Highway 61 Revisited e a Jack Kerouac em Desolation Row. Falando nos beats, inclusive - a música de Bob foi uma importante influência para a contracultura na década de 1960. O artista sofreu um acidente quase fatal e no ano seguinte lança John Wesley Harding, álbum que funcionou como um contraponto na psicodelia que estava em voga devido ao trabalho dos Beatles em Sgt. Pepper lonely hearts Club Band. Self portrait, lançado em 1970 obteve críticas negativas por soar repetitivo. Em 1973 Bob lança uma de suas canções mais conhecidas, trilha do filme Pat Garret e Billy the Kid, 'Knockin' on Heaven's door. [que anos mais tarde ganhou uma versão pelo Guns N' Roses]...

Letras possui os discos lançados entre 1961 e 1974, distribuídos de maneira cronológica numa edição bilíngue de 640 páginas, que aborda um período em que a voz e o talento do artista alcançavam o mundo. Transformações sócio-econômico-políticas no mundo foram bem representadas pela voz da contracultura, aquele que não se engajou em opiniões prontas vendidas pela mídia nos noticiários a fim de tornar a população paranoica. Dylan criou poesia cantada, revelando-se um artista único de toda  uma geração. Entende-se o porquê dele ter sido premiado com um Nobel de Literatura... Mais que merecido...




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Caixa de Correio - Abril / 2017

Olá, pessoas queridas. Preparados para ver as novidades que andei recebendo aqui em casa? A caixinha demorou para ser postada, pois se tratam das aquisições feitas em abril, mas aqui está o post...

Recebi em parceria com a Companhia das Letras para ser resenhado no Dose Literária o livro Nosso GG em Havana, mais um titulo do meu amor cubano Pedro Juan Gutiérrez. Recebi também de cortesia da Ed. Leya e que será resenhado primeiramente no Poesia na Alma O estranho mundo de Tim Burton...


Andei passeando no sebo do Dedê e trouxe as belezinhas abaixo no 'old estilo escambo de ser'... Sempre tem um ou outro infantil que me atrai, além de poesia, teatro, biografia e claro, acadêmicos em minha área de atuação [História]. Nem todos serão resenhados, por vezes adquiro e leio pelo simples prazer de ler, sem 'obrigação' de resenhar... 


Agora é a vez dos presentes que volta e meio recebo de pessoas queridas. Ireno me deu três livros, incluindo um Galeano [o primeiro para o acervo]... Carol Valeriano, no encontro do Mochilão da Record acabou me presenteando com alguns mimos... veio chaveiro, marcadores... Detalhe para meus chaveiros egípcios, que se tornaram pingentes... heheh... A quarta imagem foram os brindes do evento e ainda tive a sorte de ganhar um livro no sorteio [e acabei trocando ele por outro de meu interesse, logo abaixo...]


Finalmente completei minha trilogia Thrawn. Troquei o Meg Cabot do Mochilão pelo volume 2 com uma amiga, e ainda pequei o volume 3 de quebra... Espero ter tempo pra ler logo os três volumes...



Ainda com relação aos presentes que ganhei, certamente o mais incrível ohmyfuckinggod foi uma estatueta de Don Quijote de la Mancha acompanhado de seu escudeiro Sancho Panza. Ireno ainda teve a gentileza de me doar uma edição especial do quarto centenário da obra em espanhol... Ficou a coisa mais linda da vida na estante...


Da primeira onda de sorte do ano, ganhei numa promoção o livro Forrest Gump. Espero ler em breve esta oitava maravilha do mundo, pois sou apaixonada pelo filme... [Tom Hanks ]


Compras, compras e  mais compras... Mangás, revistas, caderneta de Jack Skellington, livros em promoção na Amazon... Alguns já estão resenhados por aqui... outros serão lidos e resenhados, tão logo possa... 


Finalizando as compras [e o mês], comprei uma estatueta de Monkey D. Ruffy de One Piece, um dos meus mangás preferidos [amo Piratas]. Apesar de tentador, não teria espaço para colecionar todas e os preços das estatuetas seguintes são desoladores para quem vive de salário de professor... Pretendo ter ao menos o bando do Chapéu de Palha...


Então é isso, por hoje é só[?] Espero que tenham curtido a 'caixona' e me falem nos comentários o que gostariam de ver resenhados por aqui, o que deu vontade de ter e ler...
Beijos góticos... ;*






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Cujo - Stephen King

Numa pequena cidade do Maine temos um monstro à espreita, que outrora foi um cão dócil e amava crianças, mas que devido a uma mordida de morcego enquanto perseguia um coelho na mata acabou se transformando numa criatura sem limites e que só queria fazer a dor parar, mesmo que para isso tivesse que morder a garganta daqueles a quem um dia sentiu amor...

Cujo é um cachorro São Bernardo, seu dono é um menino chamado Brett, que tem um pai violento que faz com que a esposa viva atormentada com seus rompantes de raiva... Tad Trenton é um menino de quatro anos que anda assombrado com uma sinistra figura que aparece no closet do quarto... Além de  lidar com esse mal 'invisível', apesar da pouca idade percebe que algo ruim está acontecendo com seus pais, Vic e Donna, que estão passando por uma fase difícil no casamento, e ao longo da história a situação se agrava devido a alguns acontecimentos infelizes...


Os personagens vão se mesclando em narrativas separadas mas que compõem de maneira harmoniosa o conjunto da obra, tornando o livro uma sequência de cenas alucinantes e de tirar o fôlego... Vamos acompanhando o desenrolar do enredo através da perspectiva dos personagens, inclusive pelo olhar inocente das crianças e do próprio cachorro... Impossível não se sentir tocado pela agonia do belo animal, aos poucos se transformando numa figura perigosa e sem controle...




"Simplesmente estava ali deitado, sentindo a dor que preenchia cada parte do corpo e deixava a cabeça zunindo. Estava cada vez mais difícil pensar no que iria acontecer em seguida, em sua vida simples de cachorro. Alguma coisa tomara o lugar do instinto."

Nas cenas que culminam no desfecho, há um verdadeiro embate do cão com Donna e Tad, cercados e sem esperanças de se livrar daquele 'cativeiro' que o destino os empurrou... É uma guerra psicológica entre caçador e presas... O ápice é cruel e nos deixa com um nó na garganta...

Stephen King provou mais uma vez seu talento como exímio escritor, que instiga os leitores a continuar até suas páginas finais... A edição publicada pela Suma de Letras ainda traz uma entrevista realizada com ele, em 2006... Cujo é perturbador, beira o insano, mas tão cru quando as circunstâncias nos levam a eventos imprevisíveis e prováveis de acontecer...



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[HQ] O estranho Mundo de Jack, de Jun Asuka

Uma das obras mais famosas de Tim Burton certamente é o filme O estranho Mundo de Jack, onde um simpático Rei que vive numa cidade em eterno Halloween, anda saturado daquela mesmice, de todos os anos entreter o público com sustos e coisas aterradoras... Algo inquieta Jack Skellington, que precisa respirar novos ares...

Jack tem uma admiradora chamada Sally, uma boneca de pano confeccionada pelo Dr. Finklestein, um cientista perturbado que criou Sally para que ela cuidasse unicamente dele e de seu laboratório. Ela assiste escondida as apresentações de Jack, e tem medo de confessar o que sente por ele... A noite de 31 de outubro sempre é motivo de festa para toda a cidade e o Prefeito cuida para que tudo saia nos conformes. Mas numa caminhada pela floresta, Jack encontra uma porta que vai dar em outro lugar que ele nunca tinha visto antes. Nesse lugar as pessoas comemoram o Natal, e Jack volta empolgado ao seu reino para fazer seu próprio natal, mas os habitantes acabam estranhando aquela nova maneira de se fazer festa... 

Jack então resolve tomar o lugar do Papai Noel e vai num trenó levar os presentes para os habitantes da outra cidade... Porém, algo ali dá muito errado... Sally agora precisa correr contra o tempo para libertar o verdadeiro Papai Noel e ajudar seu amado a se livrar de algo ruim que as pessoas da cidade do Natal pretendem fazer com ele...

Para quem nunca viu o filme, a leitura desse mangá será uma experiência incrível. Aos que já conhecem a obra, a leitura pode trazer um efeito de nostalgia, mas basicamente é o enredo do filme que está aqui... De qualquer forma, acho válida a leitura, ter na estante, apreciar o trabalho de Jun Asuka, responsável pela história e arte do quadrinho... 

Há alguns outros personagens interessantes que dão um ar de graça à trama, como o cachorro de Jack, Zero, o Bicho-Papão e seus seguidores sinistros, e até o próprio Papai Noel. Em suma, trata-se de uma leitura divertida, com ares de macabro, bem no estilo Burton de ser... O Estranho mundo de Jack é um filme da Disney, de 1993...


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TAG - Guerra Civil

Um olhar de estrangeiro postou uma TAG que me deixou bem motivada a responder por aqui, chama-se Tag Guerra Civil. É muito simples respondê-la e espero que curtam minhas respostas... Quem quiser responder, sinta-se a vontade também... e avisa por aqui porque eu dou uma sacada nas suas respostas, ok? Vamos lá...


Capitão América: Um livro que você entende as referências.


Então... Para abrir a tag vou recomendar a série Sandman, de Neil Gaiman. São inúmeras referências ao longo de onze arcos de história em quadrinhos... Em um deles, temos um personagem lendo um livro, e na capa dá pra ver que se trata de uma obra de Stephen King, It

Homem de Ferro: Um livro que você quer, mas é muito caro e só sendo rico pra comprar.


Vampiro: A máscara. Um suplemento de RPG que eu jogava na adolescência... Queria muito, mas a grana nunca sobra pra isso... Só pela nostalgia, pois acho improvável jogar a essa altura da vida...

Homem Aranha: Um livro que agrada todo mundo.



Acho que O diário de Anne Frank. Até hoje não vi ninguém dizer que leu e não gostou... Sem contar que se trata de uma importante obra/registro de um período tão infeliz da História contemporânea mundial, pela perspectiva de uma adolescente escondida, tentando escapar da morte...

Homem Formiga: Um pequeno livro com uma grande história.



Flicts, de Ziraldo. Li na infância, e é um dos meus preferidos... Já fiz resenha dele por aqui. É sobre [não] se encaixar... 

Feiticeira Escarlate: Um livro que pode mudar a realidade.



Na natureza selvagem, de Jon Krakauer. Ao menos comigo, mudou bastante a forma de enxergar as coisas... Essa leitura foi um divisor de águas na minha vida...

Pantera Negra: Pseudônimo de um grande autor.


Mary Westmacott era um pseudônimo usado por Agatha Christie para escrever alguns de seus títulos. 

Bucky (Soldado Invernal): Um livro que você leu no passado e ainda gosta muito.


Pssica, de Edyr Augusto Proença... Sem sombra de dúvidas com relação a essa escolha... Certamente o livro mais visceral que tive o prazer de ler em 2016...

Viúva Negra: Um livro escrito por uma mulher, com uma protagonista mulher.



Não só um livro, mas cito aqui a série As brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Li e foi amor à primeira vista... Pretendo fazer uma releitura da série e trazer minhas impressões num post por aqui...

Gavião Arqueiro: Um livro que ninguém dá bola, mas ele tem o seu valor.




Tentei encontrar algo que se encaixasse nessa pergunta da Tag mas estou às escuras... Dessa vez, não indico nenhum aqui...

Visão: Um livro com um começo ruim, mas com um bom final.



Inocência, do Visconde de Taunay. Trata-se de um clássico da literatura brasileira que nas primeiras páginas não me fisgou... Mas chegando ao segundo capítulo, a história engrenou e só sosseguei quando conclui a obra... 


Então é isso... Espero que tenham curtido a TAG. Fazia um tempinho que não trazia esse tipo de postagem por aqui, e adoro respondê-las vezemquando... 

Beijos e até a próxima... ^.~
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[HQ] The God's Lie - um mangá de Kaori Ozaki

Natsuru Nanao foi transferido para uma nova escola, e lá ele conhece a misteriosa garota chamada Rio Suzumura, introspectiva e que não interage com as pessoas na sala de aula. Em um belo dia, Natsuru acaba descobrindo sem querer um segredo que Rio guarda a sete chaves, e que pode mudar o futuro da garota caso seja descoberto... A partir daí, o jovem começa a evitar os treinos de futebol que costuma frequentar, deixando sua mãe preocupada... Seu comportamento na escola também contribui para que sua mãe perceba que há algo estranho acontecendo com o filho...

Rio tem um pequeno irmão chamado Yuuta. Ele é inocente e gosta de Natsuru, que anteriormente havia levado um gato para os dois irmãos, já que não podia ficar com ele... Escapulindo de casa, o rapaz tenta ajudar seus novos amigos da melhor maneira possível, até descobrir algo ainda mais triste sobre os dois... Além de ter que lidar com sua insegurança, em achar que não terá um bom desempenho com o futebol, a relação com a mãe acaba se tornando distante. 


Ao longo desse mangá de volume único vamos descobrindo a vida de Rio e Yuuta através da narrativa sensível de Kaori Ozaki. O titulo começa a fazer sentido já no desfecho, não descartando a chance de provocar no leitor o velho 'engolir em seco'. Acompanhamos o desabrochar dos personagens, nos sentimos solidários a suas perdas e confusões e ainda indignados com um fator muito revoltante inserido na história...

O mangá possui apenas 216 páginas, mas são o suficiente para nos contar uma história cheia de significados que nos leva a reflexão. A simplicidade das interações entre personagens e cenários são de uma delicadeza ímpar, mas soam levemente cruéis, dando uma leve sensação de desalento em algumas cenas... Trata-se de uma situação muito próxima de nossa realidade, e talvez por isso nos incomode. Por saber que casos como o de Rio são tão corriqueiros... 

Para leitores que apreciam histórias desoladoras, contadas de maneira sutil e poética... Mas que permitem 'luz ao fim do túnel', com um desfecho que considero 'feliz'...



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Um dolorido relato de guerra - Irmãs em Auschwitz

"- Raus! Raus!"


Li recentemente a biografia de Rena Kornreich Gelissen, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau durante a Segunda Guerra Mundial, que vitimou mais de seis milhões de judeus. Escrita por Heather Dune Macadam, que através de visitas a Rena gravou as conversas a fim de publicar o livro, Irmãs em Auschwitz é sobre Rena e Danka, sua irmã mais nova, a quem prometeu aos pais proteger. Rena não fazia ideia do horror que ela e sua família, bem como os amigos, seriam submetidos...



Trata-se de um relato comovente, narrando os primeiros anos de Rena até o momento em que a Polônia é invadida pelos soldados alemães. Teve que fugir para a casa de parentes na Eslováquia mas posteriormente voltou para junto de sua familia, pois não queria deixá-los sozinhos e desprotegidos... Pouco adiantou essa decisão...

Ao longo dos capítulos, vamos acompanhando toda a trajetória de Rena tentando sobreviver aos trabalhos forçados, as humilhações, fome, doenças, piolhos, espancamentos e o medo constante de no dia seguinte ser 'selecionada' para as câmaras de gás... Além de si mesma, precisa livrar a caçula do encontro com a morte... Ela não tem mais noticias dos seus pais, nem de suas irmãs mais velhas, sobrinhos...  Pessoas que a ajudaram acabam morrendo. A cada dia fica mais difícil acreditar que aquele sofrimento vai ter fim...

Alguns trechos são por demais chocantes e nos levam a refletir sobre quanto o ódio pode levar um indivíduo a cometer atrocidades com o outro. Rena foi uma das primeiras mulheres a ser transportada em massa para os campos de concentração, quando ainda julgavam ser campos para trabalhos forçados... Ela passou mais de 3 anos lutando por sua vida e pela de Danka, tentando ser resilientes em suportar os horrores por dentro das cercas eletrificadas... 

O que emociona ainda mais o leitor é saber que a convivência com os demais judeus, em sua maioria mulheres, era de empatia e ajuda mútua, na medida do possível... A comida que era surrupiada era dividida para todos, os bilhetes escondidos que muitos se arriscavam em entregar de um para o outro, entre outros fatores permitiu que Rena praticasse o bem em meio a tanto mal perpetrado pelos soldados nazistas...

A Editora Universo dos Livros fez um excelente trabalho publicando essa obra pungente, um relato emocionante e dolorido-sombrio, de um dos episódios mais infames de nossa história... Impossível se manter alheio às emoções que a leitura desse livro nos proporciona... O desconforto é quase palpável, e por mais histórias que eu leia desses sobreviventes e por mais que eu imagine como foi, nada será tão angustiante como realmente ter estado lá, vivido e sobrevivido ao Holocausto judeu...

" - Você sabe para que temos de rezar, Rena? - A voz de Erna retalha meus pensamentos.
- O quê?
Uma coluna de fumaça sobe das chaminés.
- Não para que não cheguemos lá, mas para que quando, de fato, acabarmos lá, eles tenham gás suficiente para morrermos e não precisarmos ir para os fornos vivas."




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Menina Má, de William March

olá, leitores! Trago para vocês mais uma resenha de um título que adquiri recentemente na Amazon, publicado pela DarkSide Books. Trata-se do livro Menina Má, escrito em 1954 por William March. A história fala sobre Rhoda Penmark, uma menina aparentemente dócil e educada que se mudou há pouco tempo para uma pequena cidade, mas o pai vive viajando devido ao seu trabalho. Christine vai tentar uma vaga numa escola renomada para sua filha, mas logo percebe que algumas coisas incomuns e uma atmosfera hostil envolvem o circulo social de sua filha...

As pessoas parecem evitar a pequena Rhoda. Desde muito cedo seus pais perceberam que ela era diferente de outras crianças, meio apática até, não demonstrando afeto e amorosidade, a não ser em alguns momentos demasiadamente calculados... Rhoda é também uma criança ambiciosa e por vezes egoísta, e esse comportamento frio e racional para uma menina de 8 anos acaba causando estranheza e certa aversão por parte das pessoas do local onde moram, exceto uma ou outra pessoa, que se encanta com seu jeito polido.


 Numa competição da escola - devido ao seu comportamento - ela pensava que iria ganhar uma medalha de reconhecimento mas esta acaba indo para um menininho. Porém, Rhoda não aceita esse resultado e deseja a medalha para si. Num piquenique realizado pelas professoras da escola, um acidente acontece e a menina parece esconder algo importante... Após o ocorrido, sua mãe começa a descobrir mentiras contadas pela filha, evasivas na hora de investigar o caso e percebe que pode ter em casa um problema muito maior do que o comum...

A temática abordada pelo autor no período em que escreveu o livro rendeu inúmeras críticas sobre o comportamento sócio/psicopata infantil. Há uma perfeita construção dos personagens que compõem o enredo, tornando a história muito crua e repleta de detalhismos, que em momento algum se revelam enfadonhos ao leitor... Apesar de ser a protagonista da história, conhecemos a obra até seu desfecho por meio da visão da mãe, Christine. Ela descobre não apenas a maneira sórdida em que sua filha lida com pessoas que 'cruzam' seu caminho, dificultando seus objetivos, mas também coisas referentes a seu passado, que podem servir de explicação para o comportamento de Rhoda. A fragilidade de Christine ao ter que lidar com esse segredo sozinha, pois o seu marido se encontra ausente, é o que mais deixa o leitor compadecido de seu dilema moral. 

A frieza e calculismo diante de insinuações, ameaças e afins por parte de Leroy - zelador inescrupuloso do prédio em que vive - toma proporções perversas. Christine liga pontos do passado da filha em outros locais onde moravam, a atitude de pessoas depois de alguns acidentes e percebe que o caso do menino Claude não é o princípio de tudo... 

Com relação às decisões que Christine toma no decorrer da trama a fim de resolver a questão podem irritar algum leitor mais racional, mas convém lembrar que se trata de uma mãe lidando com uma criança capaz de ferir pessoas, até o mais alto grau, uma menina de especificamente oito anos de idade... No lugar dela, qualquer um se encontraria perdido, sem saber como agir...

A editora Darkside fez um trabalho primoroso com a edição. Há uma adaptação que ainda não tive a oportunidade de assistir, mas em breve verei... No Brasil, ela recebeu o titulo de Tara maldita, ao invés de A semente do mal, título original do livro... Esse filme data de 1956, dois anos após a publicação da obra... Para aqueles aficionados por histórias com enredo enxuto, bem estruturado e com personagens bem caracterizados, Menina Má é uma excelente pedida, ainda mais se você aprecia estudos sobre psicopatia, crianças criminosas e afins...



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Quote: Amor líquido sobre a fragilidade dos laços humanos [Zygmunt Bauman]



“Será que os habitantes de nosso líquido mundo moderno... preocupados com uma coisa e falando de outra? Eles garantem que seu desejo, paixão, objetivo ou sonho é “relacionar-se”. Mas será que na verdade não estão preocupados principalmente em evitar que suas relações acabem congeladas e coaguladas? Estão mesmo procurando relacionamentos duradouros, como dizem, ou seu maior desejo é que eles sejam leves e frouxos, de tal modo que, como as riquezas de Richard Baxter, que “cairiam sobre os ombros como um manto leve”, possam “ser postos de lado a qualquer momento”? Afinal, que tipo de conselho eles querem de verdade: como estabelecer um relacionamento ou – só por precaução – como rompê-lo sem dor e com a consciência limpa? Não há uma resposta fácil a essa pergunta, embora ela precise ser respondida e vá continuar sendo feita, à medida que os habitantes do líquido mundo moderno seguirem sofrendo sob o peso esmagador da mais ambivalente entre as muitas tarefas com que se defrontam no dia-a-dia."


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[De “Amor Líquido Sobre a fragilidade dos laços humanos” Zygmunt Bauman]
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O banditismo/messianismo na obra de Natanael Sarmento

Mais uma cortesia recebida da Chiado Editora é sinal de resenha por aqui... O bandido que virou santo foi publicado em 2015, de autoria do escritor potiguar Natanael Sarmento. Nos primeiros anos do século XX, o progresso viria se estabelecer nas terras nordestinas, devido ao vapor da Great Western, a luz elétrica e ao telégrafo. A paisagem das cidades e dos campos, seria modificada. Nesse processo, tais modificações seriam a causa de êxodos rurais por parte de grandes proprietários de terras, indenizados por tais empresas. Diferentemente dos trabalhadores de tais locais, que sem um vintém, haveriam de encarar a expulsão com 'uma mão na frente e outra atrás', por não pertencerem à classe favorecida...

"O êxodo, despejo ou retirada melancólica dos que partiam sozinhos, ou em grupos, as míseras pertenças, as muitas dúvidas. Onde encontrar Terra para semear e colher? Sabiam que deviam partir, não podiam ficar, que deviam buscar outra freguesia. O Progresso chegava com a futura estrada de ferro, eles representavam o atraso, o passado, deviam partir."

Cascavel outrora foi José Presciliano, filho de seu Mestre Francisco, um dos homens que se viram de repente sem terra e sem lar devido à ambição de seu antigo empregador... Ameaçados, humilhados e expulsos, tiveram que enfrentar dificuldades para encontrar um novo recanto, mas por ironia do destino, sofreram os horrores diante da 'Lei'...

Querendo se vingar por tudo que aconteceu desde que deixaram sua terra natal, o garoto comete um crime, e perseguido pela Justiça, acaba encontrando o bando de cangaceiros de Tião Brilhantina. Depois de provar que era corajoso o bastante para não ser morto pelo grupo, acabou caindo nas graças do líder, e a partir daí seguiu por um caminho sem volta, na criminalidade do cangaço, enfrentando os homens da lei, os coronéis e o ódio crescente que habitava dentro de si, por toda injustiça que sofreu em vida...

"Assim a glória desse mundo: alguns manda, muitos obedecem. Abandonar tudo que construiu naqueles sítios, a última ordem do Coronel Abelardo. Ele mesmo determinou o valor da indenização,sem dar cabimento a reclamos."

O Folhetinista é nosso narrador, e através de sua novela traça um perfil da figura bandida/marginal/justiceira do Cangaceiro, bem como denuncia através do campo 'ficcional' os desmandos de uma sociedade corrompida, com uma  política suja, perpetrada por homens poderosos e de influência econômica que visam explorar o mais humilde e trabalhador. 

O bandido que virou santo faz referência a história do cangaço, do coronelismo, exploração da mão de obra rural  pelo latifundiário, ao messianismo presente no povo sertanejo, bem como ao imaginário popular que permeia na literatura de cordel sobre o papel do Homem do Cangaço para os pobres, uma espécie de Robin Hood do nordeste, que através da violência cometida contra os poderosos, há de fazer um pouco de justiça aos menos favorecidos, já que a 'lei' acoberta justamente aqueles que possuem dinheiro e poder. 

"Nos estudos, das formas arcaicas dos movimentos sociais, Eric Hobsbawn consagra a expressão banditismo social. Ela define o papel social do cangaceiro. Lendários fora da lei, não raro, admirados e cantados em prosa e verso. Não são insurgentes políticos, nem perseguidores  religiosos. Eles emergem e se desenvolvem no contexto social ruralista, atrasado e pobre, do capitalismo agrário."

Leitura de nível atemporal, que serve como ponte para entender certas passagens de nossa História ruralista, bem como as lutas pelos direitos proletários, o abuso de autoridades e a fé do povo nordestino, tão incrustada em nossa cultura - simbolizando alento diante das dificuldades diárias...



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Caixa de Correio Março / 2017

E vamos aos recebidos do mês de março! Estava ansiosa para mostrar a vocês o que andei recebendo por aqui... Comprei pouca coisa, ganhei promoção, recebi livros de parceria...

Comprei um livro sobre a banda Iron Maiden, e ainda veio com um cd de brinde, do Guns N' Roses. Além disso, comprei O livro de ouro do Recruta Zero #4 e O livro de ouro do Hagar, o Horrível #3, além das edições 7 e 8 do mangá FullMetal Alchemist... 


Ganhei uma promoção num blog e recebi o livro O castelo mágico da Princesa Melinda + marcadores... A leitura foi rápida e leve... 


Recebi de cortesia para o blog Poesia na Alma o livro O bandido que virou santo, de Natanael Sarmento. Lili ainda me mandou alguns brindes, como calendários e bloquinhos, sendo que um dos calendários é de seu livro Mulheres que não sabem chorar. Ainda mandou dois livros emprestados para que eu devolva quando acabar de ler: Círculo de Xamãs de Olga Kharitidi e A ciranda das mulheres sábias, de Clarissa Pinkola Estés


Em parceria com a Companhia das Letras recebi O rei de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez. Já reli e resenhei. Leia sobre ele aqui.


Fiz algumas trocas no Sebo do Dedê em Carpina - PE. Sempre que visito volto com alguns títulos interessantes... Dessa vez trouxe algumas edições de A espada selvagem de Conan, Fora de mim [Martha Medeiros], Antígona, Édipo Rei e Ájax [Sófocles], Carmen e outras novelas [Prosper Mérimée], Felicidade Clandestina [Clarice Lispector], Os três ratos cegos e O cadáver atrás do biombo [Agatha Christie], O que é socialismo [Arnaldo Spindel], O que é teatro [Fernando Peixoto], Cristais [Coleção Caras] e uma HQ antiga da Disney - Os desastrados.


Recebi 3 revistas do meu amigo Antonio [Biblioteca Nacional] e o livro O primo Basílio, de um de meus alunos do sexto ano. 


Por último, eis os livros que ganhei de presente do meu amigo Ireno. Por que ler os clássicos, de Ítalo Calvino; Hipátia de Alexandria, de Maria Dzielska; Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre; A rainha descalça e A mão de Fátima, de Ildefonso Falcones e Pintura na Espanha - 1500 a 1700, de Jonathan Brown



Como podem ver, minha Caixa de Correio foi bem sortida... Algumas leituras eu já fiz e resenhei... Outras ainda serão resenhadas por aqui, fiquem de olho nos próximos posts... Conhecem alguns desses livros/quadrinhos? Me falem nos comentários. E quais vocês gostariam de ver sendo abordados no blog?

Beijos e até a próxima caixinha ;)



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O Rei de Havana, mais uma bela ficção de Pedro Juan Gutiérrez



Há alguns anos fiz a leitura de O rei de Havana e recentemente tive o prazer da [re]leitura, graças a parceria com a Editora Companhia das Letras, que lançou uma nova edição pelo Selo Alfaguara. É meio impossível ter algo de Pedro Juan Gutiérrez entre os lançamentos e eu não solicitar... Cubano, nascido em 1950, Pedro Juan já foi vendedor de sorvete, cortador de cana-de-açúcar e locutor de rádio. Mas seu verdadeiro talento é escrever uma boa ficção, das mais cruas e indeléveis, que marca o leitor por anos a fio... Não seria diferente com O rei de Havana...

Retornar à trama de Rei, garoto pobre que cresce em meio a miséria e que desde cedo se depara com uma grande tragédia familiar foi uma experiência única. Os traumas que carrega desde que a morte rondou sua familia, o período que passou no reformatório e sua fuga para ganhar a vida nas ruas sujas de Havana fazem parte da sua essência. Rei se intitula Rei de Havana, e lida com pessoas que - assim como ele - encontram na miséria e sujeira certo refúgio, como se intrinsecamente estar na lama fosse parte de si mesmos...

"O enorme depósito de lixo da cidade, a uns cem metros, exalava um fedor insuportável, nauseabundo. Rei sentiu o cheiro e ficou à vontade. Os odores da miséria: merda e podridão. Sentiu comodidade e proteção à sua volta."

A meta de Rei é sobreviver, dia após dia, da maneira que lhe for possível. Seu caminho se cruza com o de prostitutas que masturbam velhos em troca de alguns pesos, deita com mulheres que tem idade de ser suas avós, algumas outras novas, mas desgastadas pelas agruras da pobreza, fome e vícios. Vaga por prédios condenados a desmoronar, lugares que parecem esgotos de tão imundos e frequentados por tipos marginalizados pela sociedade cubana. 

"não tinha nem café, nem um tostão. Ele desceu a escada de estômago vazio. Tinha pensado que no mercado agrícola de Ánimas podia encontrar alguma coisa para fazer. Odiava trabalhar, mas não queria voltar a revirar o lixo e comer coisas podres cobertas de vermes."

Rum e sexo são o alento de Rei em meio à imundície e à falta de perspectivas. Fugir da polícia, dormir com o estômago roncando de fome, conseguir bicos para garantir bebida e cigarros são as poucas coisas a que Rei se agarra para não desistir da vida de uma vez... Acompanhamos sua trajetória rumo a um desfecho visceral em tons levemente poéticos... A escrita de Gutiérrez tem um quê de encanto, mesclado a uma prosa lancinante, que mais parece um soco no crânio. Nos deixa perturbados, entontecidos... 

Em suma, Gutiérrez é para aqueles leitores que buscam uma leitura profunda, sem rodeios. Que não temem encontrar crueza e melancolia nas tragédias da vida; vida esta regada a sexo beirando a selvageria... 

"Havia muito tempo que não fazia sexo. Tinha comido o cu de alguns veados no reformatório. Mas lá não havia muitas bichas, e eram disputadas a tapa, o que divertia muito as loucas. Ver os machinhos brigando por causa delas. Ele brigou duas vezes, mas depois resolveu que não valia a pena. Aí se masturbava toda noite, mas nada como uma boa chupada de quem sabe, seguida de uma boa boceta úmida e cheirosa, com as respectivas tetas e um rosto lindo de cabelo comprido, e, além disso, um cu opcional, para variar um pouco de buraco."
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12 Meses de Poe [Poema] - Sozinho

"Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos."


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O teatro de Suassuna em O Santo e a porca


O santo e a porca é a segunda obra de Ariano Suassuna que eu leio. E mais uma vez sua escrita se revela genial. Pertencente ao gênero comédia, foi escrita pelo autor 'paraibucano' em 1957 e tem como temática a avareza, retratada através de um personagem, que esconde o dinheiro que juntou a vida inteira dentro de uma porca.

Com diálogos hilários, Suassuna nos apresenta personagens que utilizam a astúcia próprias e ingenuidade alheias a fim de se darem bem em suas empreitadas. Exemplo disso é Caroba, que numa artimanha bem planejada [talvez nem tanto assim], consegue realizar casamentos, incluindo o seu próprio, sem levantar suspeitas de ninguém, e gerando ao mesmo tempo, algumas hilárias confusões... Tudo com o tom irreverente presente na obra de Ariano.

"Euricão - Que conversa é essa? Você andou remexendo no que é meu?
Caroba - Que interesse eu tinha em remexer nessa troçaria? Só se para ficar com asma, nesse mofo."

A peça é dividida em 3 atos, e pode ser lida em questão de minutos. Mesmo sendo uma peça de teatro - alguns leitores podem não ter o hábito de lê-las - a escrita é fluída e não se mostra cansativa. E certamente vai render boas risadas.  Importante frisar a crítica/reflexão que o autor faz sobre o materialismo, que por vezes se mostra mais importante do que o valor das pessoas. O personagem Eurico ilustra bem essa característica. A porca chega a ter mais importância e cuidados do que a sua filha Margarida

"Euricão - Ai minha porquinha do coração, a luta é grande contra os ladrões. Mas arranjei mais vinte contos para seu buchinho."

Para quem conhece O auto da Compadecida, é impossível não encontrar na figura de Caroba traços do personagem João Grilo. A fim de sobreviver em meio as agruras do nordeste, há que se tornar esperto para driblar as dificuldades e se dar bem na vida. 

"Dodó - A culpa foi sua, era eu falando da filha e o senhor pensando na porca!
Euricão - Ai, a porca! Juntei dinheiro a vida inteira, para a velhice, e agora perco, num dia só, a porca e  a filha!"

Indicado para todos os leitores que buscam uma escrita envolvente, ágil e de diálogos diretos, com um tom de comicidade típica nas obras de Suassuna...
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Assombrações do Recife Velho - Notas históricas, folclóricas e sobrenaturais no passado recifense



Com ares de crônica local, Assombrações do Recife Velho - Algumas notas históricas e  outras tantas folclóricas em torno do sobrenatural no passado recifense foi escrita em 1951 por Gilberto Freyre, que na época era diretor do jornal A província, encarregando seu repórter policial e investigar casas com histórico de assombração. Juntando a esse material investigativo, as estórias contadas pelos moradores mais antigos de bairros sombrios da capital pernambucana, criou-se o material que tenho em mãos, obra riquíssima da sociologia do sobrenatural, que em muito contribuiu para a cultura oral do estado...

A edição prefaciada por Mary del Priore, aclamada historiadora, já mostra a que veio a obra, discorrendo sobre mitos religiosos antigos, conceitos de bem vs mal, estudiosos que outrora abordaram a temática em obras importantes, etc... Os mitos estão impregnados no imaginário pernambucano e remetem a épocas distantes, desde a Idade Média, e que - com o passar dos séculos - foram se adaptando de acordo com a sociedade em que são ambientados. 

Cenários como casarões abandonados, riachos, poços e istmos, ruas calçadas com pedra, iluminadas de maneira precária e árvores frondosas e de copa alta, ganham aspecto fantasmagórico nas lendas e relatos de pessoas diversas, que vão do poeta escravo de tempos longínquos a senhores distintos da sociedade recifense do século XIX/XX, de mucamas a crianças amedrontadas ou homens jovens voltando do trabalho ou de festas tarde da noite...

A religiosidade anda lado a lado do imaginário popular. Segundo o Cristianismo, o diabo é a força de todo o mal. 

"Desde o século XII,a coisa ficava assim equacionada: o diabo era a causa de tudo. Deus poderia ter dado ao anjo decaído o poder de infiltrar-se nos cadáveres. A explicação literalmente canônica subentendia que as assombrações podiam deixar suas sepulturas, instigadas por Satã, que o diabo era capaz de animar em seu próprio receptáculo, ou seja, o cadáver.".¹
Fantômes et tevenants au moyen âge e Au-delà du merveilleux  - Essai sur les mentalités du moyen âge [Claude Lecouteux]
Estudiosos da Antiguidade já relatavam em suas obras fenômenos de origem não-natural, misteriosa e desconhecida como sendo aspectos oriundos da mitologia desses povos. Figuras como a cabra-cabriola, Bicho-Papão, Cabeleira, procissão dos mortos, Lobisomem, almas penadas de sinhás brancas que morriam de doença misteriosa ou febres, negrinhos em encruzilhada ou entidades como Exus são algumas das aparições mais comuns que assombravam as horas mortas de Recife, e se imortalizaram ao longo das décadas a partir da oralidade - passada de geração em geração - a fim de não deixar morrer os costumes da sociedade, mista de culturas negra, indígena e européia...

Os capítulos se dividem caso a caso, em alguns deles percebem-se caracteristicas de 'moral da história' - que seguindo os preceitos cristãos o mal não lhe atingirá. Outro ponto forte nas lendas apresentadas são as botijas, que se fossem arrancadas pelo morador da propriedade poderia fazer o fantasma seguir em paz e enriquecer quem resgatasse o ouro...  Esse tipo de estória era bastante comum até uns anos atrás, em minha infância. Na parte final, os capítulos falam de casarios específicos, mas Freyre tomou cuidado em não revelar exatamente os endereços, situando sem muitos detalhes onde se localizava tal residência... 

A cidade de Recife é um fantasma gigante e coletivo de séculos de idade, permeado de causos e criaturas do além, que atravessam o tempo e mesmo ameaçados pela modernidade, ainda pairam no ar, em conversas de foro íntimo, em noites longas onde ainda se podem ver estrelas no céu... quando as luzes da própria cidade não as ofuscam de quem se arrisca olhar pra cima a procura delas...

"O Recife de hoje, donde a luz elétrica e o progresso mecânico não conseguiram expulsar de todo essas sombras e essas visagens, essas artes negras e essas bruxarias, ainda tem alguma coisa no antigo. Seus grandes sobrados vêm resistindo aos arranha-céus como senhores arruinados da terra a intrusos ricos. Demolidos, às vezes parecem continuar de pé como se tivessem almas fazendo as vezes dos corpos. Almas não só de pessoas mas de casas inteiras parecem vagar pelo Recife. Almas de sobrados. Almas de igrejas. Almas de conventos velhos que não se deixam facilmente amesquinhar em repartições públicas. As almas dos três arcos estupidamente postos abaixo."
O livro ainda conta com dados bibliográficos de Gilberto Freyre, bem como ilustrações ao longo da edição, dando um ar mais soturno a obra... Assombrações do Recife Velho é essencial para se adentrar nas casas velhas, sobrados, cemitérios e igrejas antigos, que contam muito da história pernambucana dos séculos 18 e 19, e dá ao leitor uma ideia da riqueza cultural preservada na sociedade recifense até os dias recentes...

"Quando no silêncio das antigas noites recifenses se ouvia longe, por trás de velhos sobrados, um choro mais triste de menino, era quase certo que a cabra cabriola estava devorando algum malcriado, algum desobediente, algum respondão."

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Contextualização e Problematização nas obras clássicas da Literatura

Por vezes me deparo com resenhas de livros clássicos em que volta e meia o leitor se depara com questões  racistas/homofóbicas/machistas e acabam se incomodando por encontrarem tais conteúdos na leitura... Mas é necessário fazer através de tais leituras, aparentemente descompromissadas, uma análise sobre estes fatores...

Tomando como exemplo algumas obras como As aventuras de Huckleberry Finn, de  Mark Twain, os títulos de Monteiro Lobato, os conceitos de supremacia racial em H. P. Lovecraft, podemos encontrar várias passagens de cunho preconceituoso - seja com indivíduos isolados ou grupos deles - devido a cor, condição social ou misoginia.

Outro ponto curioso que necessito ressaltar é que a cultura do país onde a história se passa e onde o autor[a] viveu podem vir a  influenciar na escrita... Alguns anos atrás vi num texto da faculdade que dizia que as obras refletem muito de quem escreve, de onde se passa a trama e de que país o texto tem origem... Posições políticas, questões sociais, ideologias são retratadas nas entrelinhas, quando não -são o foco principal das obras...

Sim, é revoltante encontrar frases que possam ter cunho racista, afinal estamos em pleno Século XXI e ler isso num clássico realmente é incômodo. E deve chocar, indignar. Esse é o ponto. Na época em que foram escritos, era algo considerado normal. Normal, não falei correto. Normal devido a que? Como tais pessoas eram tratadas na sociedade? Como eram os espaços públicos e privados aos quais eram submetidos? Encontrar o cerne destas questões na literatura pode ser uma analogia interessante para um professor de História trabalhar determinados conceitos em sala de aula, por exemplo. Usando a literatura de maneira eficaz e prazerosa, instigante, indo além do conceito de leituras obrigatórias que fazem adolescentes travarem com a leitura de clássicos...


Algumas pessoas defendem a ideia de modificar tais obras a fim de se ocultar tais trechos, mas acredito que isso seria uma decisão extrema e que iria prejudicar a construção da trama, bem como ignorar o fato de que tais temas precisam ser discutidos... Pense na 'restauração' da imagem abaixo. Ela pode ilustrar bem o que quero dizer... Faz-se necessário usar de bom senso e sabedoria para trabalhar os contextos de maneira que se  faça compreender e argumentar...


'Ah, mas descrições de racismo nos livros podem magoar algum leitor e talz'... Deixar de falar não é o melhor caminho. É preciso problematizar e se você souber usar a obra para desconstruir tais ideias, tanto melhor... 

Ruim seria se tal tipo de leitura não deixasse o leitor desconfortável. Tem que se incomodar mesmo. Frisando: O ponto é esse.




8

Fora de Mim, de Martha Medeiros



Martha Medeiros começa um monólogo descrevendo um acidente de avião como uma metáfora para o fim de um relacionamento. Relacionamento esse que iremos adentrar ao longo de suas pouco mais de cem páginas, no título Fora de Mim...

O leitor é uma espécie de ouvinte da personagem, mulher acima dos 40 anos que se vê abandonada pelo grande amor de sua vida, restando apenas para ela as lembranças desse relacionamento, e a dor de sua falta... Dividido em três importantes momentos do fim, conhecemos a história assim que ela se encerra, o período em que a protagonista se entrega a vivência da dor, e por fim a etapa de aceitação em que ela resolve seguir em frente [ou tenta], inclusive adentrando em outro  relacionamento...

Por vezes, as passagens nos soam familiares e cruéis, mas a escrita de Martha tem um quê de poético. É pelo fim que conhecemos o começo de tudo, e de que como se deu a queda desse amor. A narrativa
nos soa como uma manhã de domingo com chuva, melancólica e apática...

"por ora, não existe futuro, não existe passado, não existe o tempo,  eu olho a chuva pela janela e ela existe lá fora, eu não existo aqui dentro."

A história vai se entremeando com vivências futuras da narradora, e que incluem até uma 'amizade' com o 'pivô' da separação. Parece improvável, mas a autora sabe conduzir tal fio como ninguém... A briga maior é da narradora consigo mesma, com as decisões que precisa tomar, com as decisões que precisa deixar... O desfecho é abrupto, seco... mas não nos impede de ficar reticentes...




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Os arquivos sobrenaturais de Ed e Lorraine Warren - Demonologistas

Uma das aquisições que fiz ano passado me rendeu nas últimas madrugadas uma leitura densa permeada de autossugestões de cunho sobrenatural. É desse tipo de livro que vinha sentindo falta nas últimas semanas, e aproveitando meu feeling 'mode on' para o terror, me entreguei às páginas de Ed & Lorraine Warren - Demonologistas, uma espécie de biografia do casal mais famoso do universo sobrenatural, escrita por Gerald Brittle e publicada pela DarkSide Books...


Certamente vocês já devem ter ouvido falar dos filmes Annabelle ou Invocação do Mal. Em caso negativo acrescento nessa lista o caso Amityville, que rendeu um livro e várias adaptações para o Cinema. Mesmo os não-familiarizados com a temática do sobrenatural devem ter ouvido falar desse último. Ed e Lorraine investigaram esses casos, ocorridos em meados da década de 1970. Tal repercussão rendeu maior reconhecimento do casal, e sua popularidade fez com que trabalhassem em centenas de experiências com o oculto, ajudando centenas de pessoas ao longo de cinquenta anos, a se livrarem do mal que os havia acometido... 

A obra é dividida em capítulos que contam alguns desses casos mais famosos, explicações sobre fenômenos paranormais, conjurações, aparições e perseguições que sofreram por parte de forças maléficas que tendiam a ameaçar suas vidas, bem como a de clérigos e outros que os auxiliavam quando os problemas eram mais intensos... O casal dava palestras a fim de informar as pessoas sobre tais acontecimentos, orientando os ouvintes a nunca mexerem com o desconhecido... As descrições são por demais detalhistas, nos dando a impressão de estarmos presentes no palco dos casos ocorridos, ou torcendo para que as pessoas envolvidas pudessem enfim encontrar alento e se livrassem dos espíritos humanos e inumanos que os assombravam...

"No pé da escada, por um breve instante, soou uma risada diabólica. Irritado, Ed aspergiu mais água benta no local, o que fez com que a pressão diminuísse o suficiente para deixá-los chegar ao topo."

A narrativa de Gerald é densa e fluída, além de ricamente descritiva. No decorrer do livro, descobrimos como o casal se conheceu, as atividades que praticavam, os horrores que vivenciaram juntos e também o preconceito por parte dos mais céticos, que não davam crédito ao seu trabalho... Ed desde muito cedo sentiu a necessidade de lutar contra o mal, foi um dos mais importantes demonologistas da América do Norte e Lorraine é médium e clarividente... Juntos conseguiram repelir espíritos inumanos, enviar para a luz fantasmas atormentados e lidaram com forças realmente diabólicas, que certamente fariam outras pessoas recuarem ou evitarem confrontar. Mas suas índoles caridosas não permitiam negar auxílio àqueles que ligavam ou entravam em contato de alguma maneira pedindo desesperadamente por ajuda...

Há alguns 'diálogos' de gravações feitas em casos de possessão transcritos no livro, falam sobre o museu oculto que possuem em sua casa, contendo vários objetos que foram fonte de problemas aos seus portadores, bem como entrevistas feitas por ambos ao longo das décadas em que viveram juntos. Ed faleceu em 2006, mas Lorraine ainda é viva e continua morando na residência que dividiu com o marido...

Dois pontos que acho pertinentes citar a fim de concluir essa postagem: a todo momento, Ed enfatizava a importância de não 'permitir' que entidades entrem em suas casas. Espíritos inumanos precisam ter permissão para agir no campo dos vivos, e em boa parte dos casos que enfrentaram, as vítimas haviam causado uma abertura para que essas forças agissem, embora ludibriados a isso... Objetos como a tábua OuiJa são uma das principais fontes de canalização entre os vivos e mortos, e - acredite! - ela não atrai entidades boazinhas... 


Por último mas não menos importante, é preciso saber que a visão de ocultismo que o casal possuía é de que qualquer envolvimento com as artes mágicas eram de cunho maligno. Influência cristã, basicamente, já que ambos eram católicos religiosos... Embora  em algumas crenças, o uso de magia possa ser visto como algo benéfico, a visão de ambos se revelava conservadora quanto a isso, devido a educação católica que tiveram... 

Em suma, Demonologistas é uma leitura recomendada para aqueles que apreciam o sobrenatural, o oculto, paranormal, casas mal assombradas, exorcismos e tem curiosidade com demonologia e espiritismo... Acreditando ou não em tais coisas, é uma obra pesada, horripilante e repleta de informações... Só recomendo não fazer a leitura quando o relógio bater às 3 da madrugada...

Lorraine e Ed Warren



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12 Meses de Poe [Poema] Annabel Lee

"Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor —
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar…
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim ‘stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar."


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