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"Deixai toda esperança, ó vós que entrais!" Inferno. A divina Comédia [Dante Alighieri]

Páginas

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Caixa de Correio Junho/2017

Olá, leitores queridos do Torpor... Curiosos pra saber quais novidades andei recebendo durante o mês de Junho? Essa postagem deveria ter saído no começo desse mês, mas acabei protelando, protelando... mas finalmente tô trazendo a vocês os títulos que troquei, ganhei, recebi em parceria e afins... Tem muita coisa, ainda bem que minhas caixas são quase sempre recheadas... E tento trazer conteúdo pro blog a partir dessas aquisições... Vamos lá, sem mais delongas... 

Parceria


Recebi de cortesia do autor parceiro Anderson Henrique seu mais novo lançamento, o livro de contos intitulado Chame como Quiser. Fiz a leitura de alguns dos contos e estou amando... Logo trago resenha dele aqui pra vocês...




Colecionismo

Venho tentando comprar algumas estatuetas da Coleção One Piece da Salvat. Não terei dinheiro para comprar todas as peças mas pretendo completar pelo menos o bando do Chapéu de Palha... Eis a nova aquisição abaixo, o cozinheiro bom de pernas e mulherengo Sanji


compra da Amazon

Não resisti [e quem consegue?] a uma super promoção da Amazon e joguei no carrinho um mangá [Suicide Club], O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman e a HQ Do Inferno, que estava com um super desconto, levando em conta seu preço geralmente salgado... Um pouco caro mas valeu a pena o investimento... Pretendo ler e trazer resenha dele pra cá tão logo possa... 


compras avulsas

Passeando pela Feirinha da Rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, me deparo comum sebo móvel, e de cara me deparo com essa edição de Contos de Grimm... Li vários deles quando criança e pela nostalgia resolvi trazê-lo para casa... 


Pela banca de revistas aqui de minha cidade,acabei comprando uma edição de Os anos de ouro de Mickey, além do volume #10 de FullMetal Alchemist e O livro de ouro da mitologia... 




Cartas de Amigos


Recebi da queridona Patricia Costa, do Dose Literária, uma cartinha cheia de panfletos e um catálogo de Conceição Evaristo, das exposições que ela visita e da viagem que fez recentemente ao Uruguai. Fiquei muito grata coma bela surpresa e lembrança... Obrigada, Pathy



Parceria

De parceria e cortesia, chegaram os livros Da poesia - Hilda Hilst, pela Companhia das Letras e Entrevista com o vampiro - Anne Rice, pela Editora Rocco, parceira do Poesia na Alma, em que sou resenhista. Tem resenha dele lá e aqui... O de poesias de Hilda logo terá postagem com minhas impressões aqui no blog... 



Cortesia 


Ainda nas cortesias recebidas para resenhas primeiramente no Poesia na Alma, chegaram os livros da Editora Record: Uma vez, O segredo de Heap House, Belas Maldições e A astúcia cria o mundo


Pela Global Editora, recebi Geografia dos Mitos Brasileiros, de Luis da Câmara Cascudo. Ansiosa para fazer a leitura e certamente irei utilizá-lo em um projeto de pesquisa...


Alguns marcadores da Editora Rádio Londres que Lili gentilmente me cedeu...


Troca de Sebo


Em meus sagrados passeios pelo Sebo do Dedê, em Carpina-PE, fiz algumas ótimas trocas... Alguns já foram lidos e aos poucos vou soltando as resenhas... 
Melhores Poesias de Cecilia Meireles, Concerto para corpo e Alma, Amor e Variações sobre o prazer, de Rubem Alves



Trouxe ainda A república dos sonhos, de Nelida Piñon e outra edição de A lista de Schindler, deixando a minha antiga por lá... E outros títulos trazidos pra casa numa das tardes maravilhosas que passo por lá foram Um brinde de cianureto - Agatha Christie, O terror - Edgar Wallace, Platero e eu - Juán Ramón Jiménez, Thomas o impostor - Jean Cocteau, Mas não se mata Cavalo?- Horace Mccoy, O gato - Georges Simenon, Guerra dentro da gente - Paulo Leminski e O menino do dedo verde - Maurice Druon. 



Presentes que ganhei de Ireno


Esses eu tive que separar numa categoria HAHAHA Tenho um estimado amigo que conheci no sebo que volta e meia me presenteia com livros e quadrinhos... Esse mês acabei ganhando lindas edições e vim compartilhar delas com vocês... Meu muito obrigada pelo carinho e amizade, Ireno.


O alienista em quadrinhos e Na volta da Esquina - Mário Quintana.


uma linda HA de A guerra dos Tronos, do grandioso George R. R. Martin. Logo tem resenha dele aqui também...


Uma edição em espanhol de Misericordia, do escritor Benito Pérez Galdós. Logo com essa capa maravilhosa, um dos meus quadros preferidos [Saturno devorando seu filho, do pintor espanhol Goya]..


Ainda na lista de presentes, umas edições bem antigas de O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde, Inferno em espanhol, de Dante Alighieri e o volume dois de Madame Bovary...


Risíveis amores, de Milan Kundera, Eu sei que vou te amar, de Arnaldo Jabor e Contos de verdades, de Aldyr Garcia Schlee...


Uma edição bem antiga de A capital, de Eça de Queiroz e Salammbô, de Flaubert. 


Uma edição em espanhol do livro El cuaderno de Maya - Isabel Allende, América - histórias, delirios e outras magias, do historiador Leon Pomer, e acabou saindo na mesma photo uma imagem de uma compra que fiz do livro As independências da América Latina. 



A origem curiosa das palavras, de Márcio Bueno. Ando bem curiosa pra fazer essa leitura...


Para finalizar, mais um título de Rubem Alves e dois livros do autor Jostein Gaarder: Através do espelho e A biblioteca mágica de Bibbi Bokken


Só tenho a agradecer a esses amigos que fazem minha alegria HAHAH
Enfim, finda a caixa de correio... Até eu pensei que não acabaria mais esse post... hehehe...


Beijos e até a próxima, amores... ^.~ 



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A era de Ouro do Pornô na Amazon

Quem acompanha o blog com certa regularidade certamente lembra que uns meses atrás resenhei o livro A era de Ouro do Pornô, do autor parceiro Zeka Sixx. Agora trago uma novidade imperdível. O livro está disponível para venda em formato e-book pela Amazon

Assim sendo, não há mais desculpa para não adquirir seu exemplar e se divertir com as [des]venturas sexuais/amorosas do protagonista Max California, um sagitariano que me conquistou pela sua personalidade bon vivant... heheeh...


Confira a resenha aqui.

Para comprar na Amazon, clique aqui.

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A beleza do Crepusculário de Neruda...

 "Amor, desfaz o ritmo da minha água tranquila."

Vencedor do Prêmio Nobel de 1971, Pablo Neruda é a grande voz poética do Chile.  Crepusculário foi o seu primeiro livro de poesia escrito. A obra, publicada pela coleção de bolso da L&PM Editores traz a produção poética de Pablito dos seus 16 aos 19 anos, originalmente publicado em 1923.

O título sugere um clima espiritual, místico com os elementos da natureza. A métrica da poesia pós-simbolista permite um ritmo cadenciado em seus versos, rememorando lembranças e devaneios, num ambiente que exala melancolia e suavidade, com um quê de onírico...

O germe de sua poesia está contido nesta edição bilíngue. A natureza, cosmos e o amor tocam o íntimo do poeta  e este se debruçou sobre folhas amareladas presenteando o mundo com seus versos... Sua poesia possui um ar de penumbra, tão comum nas poesias que marcaram o final do século XIX e início do século XX. 

Dentre suas influências na escrita, podemos destacar Ruben Darío, poeta nicaraguense, Santos Chocano, seu predecessor na visão anti-americana e politica, natural do Peru e Walt Whitman, americano. Temos também influência marcante do uruguaio Carlos Sabat Ercasty. 

Pablo foi intenso durante sua passagem nessa terra. E sua intensidade se reflete nos versos que nos legou, levantou bandeiras ideológicas, foi amante, apaixonado e dono de uma poesia digna de ser apreciada pelas mentes mais sensibilizadas com a arte da poética. A poesia de Neruda, tal como o brilho do Crepúsculo, é chama que jamais apaga...

"Pode-se encontrar a poesia das coisas
ou não pode condensar minha vida?
Ontem - olhando o último crepúsculo -
eu era a mancha de musgo entre umas ruínas."



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Estêvão, o desconectado

 

Recebi em parceria com a Editora Hyria a obra Estêvão, o desconectado, da autora Vivian Saad. Trata-se de um livro infanto-juvenil que acaba sendo uma boa reflexão para os leitores adultos, principalmente àqueles que tem filhos pequenos nessa era de tecnologia e modernidade.

Estêvão chorava bastante quando ainda era um bebezinho, e a fim de poupar os ouvidos, seus pais tiveram a ideia de presentear o pequeno com um tablet. Sendo assim, ele passou a se entreter com aquele aparato tecnológico e parou de chorar e irritar seus pais... Ao se deparar com o 'mundo' que o tablet lhe desvelava, ao mesmo tempo Estêvão 'perdia' de enxergar o que o mundo ao redor lhe proporcionava. Os jogos eletrônicos do aparelho vidravam os olhos do menino, e ele acabava se desconectando de tão conectado que estava ao tablet...

Belamente  ilustrado pela própria autora, a história de Estêvão vai sendo contada até sua idade adulta, em que ele perdeu muito do belo que a vida poderia lhe trazer devido ao fato de estar sempre  'conectado'... 

Estêvão, o desconectado, além do entretenimento de se ler, serve também para levantar questões sobre o comportamento dos pais ao lidar com crianças numa geração rodeada de tecnologia. O avanço científico e eletrônico usado de maneira indevida acaba por alienar os jovens desde o berço, minando a curiosidade do saber que todos possuímos durante nosso crescimento. 

Super recomendado para o público jovem, adulto e que busca leituras de fácil compreensão com questionamentos sociais...


Postagens relacionadas:
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Lançamentos Editora Hyria

Olá, queridos leitores. Trago para vocês no post de hoje algumas novidades nos lançamentos da Editora Hyria, parceira aqui do blog... Espero que apreciem os títulos...



ISBN: 9788566442182
Autora: Nair Pontes
Edição: 1ª
Conforme a nova ortografia.
Publicação: julho de 2017
Páginas: 28
Formato: brochura, 21x28 cm

Sinopse:
Edu, Mari, Dani e Rico são quatro amigos que numa manhã ao irem para a escola se depararam com um parque de diversões. Só que problemas como o medo do escuro, fazer xixi na cama, bullying e ansiedade os impediam de se divertir naquele mundo mágico e colorido. Até que descobriram o EMDR, as iniciais de seus nomes que também eram a sigla de uma terapia inovadora. Daí para frente tudo mudou...




ISBN: 9788566442199
Autora: Maria Cristina Martins Alvarenga
Edição: 1ª
Conforme a nova ortografia
Publicação: julho de 2017
Páginas: 122
Formato: brochura, 16x23 cm

Sinopse:
Diferente de outras áreas no ambiente da saúde, a sala de vacinação não trata de nenhuma enfermidade específica; pelo contrário, sua função é fornecer imunização às pessoas, a fim de evitar que fiquem doentes. Para tal, deve-se ter um ambiente propício, no qual se preza por limpeza e organização e que transformam-se em eficiência.

Esse é o foco do livro Sala de Vacinação. Concebido conforme as diretrizes fornecidas pelo Ministério da Saúde, esta obra é voltada para os profissionais da área da saúde que atuam em salas de vacinação de todo o Brasil. Seu caráter informativo trata da importância que deve ser dada ao espaço físico dos ambientes de vacinação, como também à qualidade do serviço prestado à população.



ISBN: 9788566442175
Autora: Esther Marcos
Edição: 1ª
Conforme a nova ortografia
Publicação: julho de 2017
Páginas: 128
Formato: brochura, 16x23 cm

Esther sem Frescura é um livro de Esther Marcos publicado pela Editora Hyria. Nele, a jovem atriz e cantora nos leva a conhecer de perto o seu mundo, em um relato em primeira mão, repleto de histórias exclusivas sobre sua vida e carreira. A busca pela positividade é um tema recorrente em Esther sem frescura. A atriz discute a pressão da sociedade atual pelos padrões de beleza, que costumam ser mais valorizados do que a gentileza, o caráter e a personalidade – mas garante que a chave para estar bem consigo mesmo é, acima de tudo, ter amor-próprio e apoio da família e dos amigos. Apesar de ainda não saber ao certo o que o futuro lhe reserva, Esther Marcos garante aos fãs que continuará a atuar e cantar, e deseja, mais do que qualquer outra coisa, ter uma vida feliz.


E então, ficaram curiosos com algum[ns] dele[s]? Me contem nos comentários... Beijos e até mais...

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A jornada de Marjane Satrapi em quadrinhos: Persépolis

Uma das experiências de leitura de quadrinhos mais incríveis que já tive foi ter lido Persépolis, de Marjane Satrapi, publicado pela Ed. Companhia das Letras. Trata-se de uma autobiografia de uma garota que cresceu num país devastado pela guerra, uma das tantas que ocorrem no Oriente médio...



A linguagem do quadrinho é fluída, traz certo tom de 'comédia' ao drama vivido por Satrapi desde a infância. Filha de pais modernos, sofreu bastante pela condição de ser mulher num país em que usar o véu de forma indevida ou pintar de esmalte as unhas do pé podem lhe render castigos...


Além do relato sobre sua infância no Irã, Satrapi nos conta como foi sua estadia na Áustria, por longos quatro anos, longe de sua família, de seus amigos, cultura - cultura esta que ela vai se distanciando cada vez mais a medida que toma decisões que chocam com sua integridade, e com seus preceitos orientais. Ela presencia a morte de perto, vendo pessoas com as quais conviveu sendo presas e mortas porque se opuseram ao regime do Irã, e por isso mesmo é mandada para a Áustria pelos próprios pais, que temem pela sua segurança, devido à forte personalidade que traz consigo...

Um dos pontos mais interessantes na biografia desenhada, é que Marjane Satrapi sempre foi uma garotinha que sonhava em ser revolucionária, almejava um futuro próspero e de paz em seu país e conversava com Deus. Mas a medida em que se tornava uma adolescente, os gostos ocidentais faziam seus pais se arriscarem para comprar um pôster de banda de rock ou algum botton de Michael Jackson pra ela - esses ideais iam se metamorfoseando. Quando ela viveu na Áustria, teve dificuldades com o idioma alemão, se envolveu com pessoas que - se vivessem no Irã, teriam sido mortas por suas peculiaridades. Ela teve o cotidiano invadido pela 'moda ocidental' e por muitas vezes teve sua fé questionada por si mesma, bem como os hábitos de sua religião...



Marjane sofreu algumas decepções amorosas, chegou a se casar, e antes disso, nem podia andar de mãos dadas com seu namorado, sob pena de ser xingada na rua, presa ou coisa pior... O bom de se ler Persépolis, é que a autora sabe tratar de tema tão denso com uma carga de humor na medida certa, sem exageros ou piadas sem sentido. Ela mescla o cotidiano com a situação do Irã de forma a fazer o leitor se encantar e ao mesmo tempo se penalizar pelo tratamento dado à população iraniana, em especial as mulheres durante o regime fundamentalista.

Existe uma adaptação cinematográfica do quadrinho, dirigida por Vincent Paronnaud e pela própria Satrapi, contando a história dela até os seus 21 ou 22 anos, ambientada entre os anos de 1969 e 1990. 
Em suma, é uma obra para ser apreciada, sem dúvida, e que levanta diversos questionamentos, bem como causar certo desgosto pela humanidade ser ainda tão pobre de paz...




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Coisas do Amor, crônicas de Rubem Alves

A Coleção Coisas da Vida traz algumas crônicas do aclamado Rubem Alves. Li recentemente o livro Coisas do amor, em que os textos falam conosco de maneira fluída, divertida e com um singelo toque de reflexão.


As crônicas contidas nesse livro surgiram inspiradas em dúvidas que os leitores enviavam para o autor, por meio de cartas e e-mails, alguns até por telefonema. Rubem transformou boa parte dessa comunicação com o público em histórias de qualidade, que podem nos despertar sentimentos criativos estimulando nossa imaginação...

Ao todo são dez crônicas que compõem Coisas do Amor, e certamente a que mais me impactou foi Esforce-se por se feliz.

"Não sei não, não conheço você, mas tenho suspeitas. Essa contradição, me parece, é sintoma de uma desgraça chamada inveja. A nossa infelicidade nasce da comparação. Comparo-me com uma outra pessoa. Vejo as coisas boas que ela tem ou é. Dou-me conta de que nem sou o que ela é, nem tenho o que ela tem. Aí, olhando para mim mesmo, sinto-me pequeno, empobrecido, feio. E esse olhar, envenenado pela inveja, destrói as coisas boas que sou e tenho. O olhar invejoso está sempre colocado na riqueza do outro que, por meio da comparação,  se transforma na minha pobreza. Ele é rico e bonito: eu sou pobre e feio. Aí o seu amor por você se transforma num amor triste. Sobra, então, a alternativa medíocre de que você lança mão: já que não posso ser objeto de amor pela minha exuberância, ofereço-me à piedade dos outros pela minha miséria. Pelo menos que os outros tenham pena de mim.Muita autocomiseração nasce do narcisismo."

Coisas do Amor trata-se de um livreto, daqueles que se carrega na bolsa para quando precisamos ler alguma coisa bonita [ou necessária]... Rubem cativa o leitor com uma sinceridade em suas palavras que poucos autores ousam utilizar. Nos dá um tapa sem mão dizendo coisas bonitas. E a paixão por sua escrita só aumenta a ponto de mal caber em meu peito... 






3

Amor que serena termina...



Assim como Pedro Juan Gutierrez, concordo que a beleza do peso-leveza do amor se encontra na euforia de um peito arfando perante a pessoa amada. Na palpitação e estremecer que o contato com a pele de quem amamos nos proporciona... O amor não escolhe em que porta bate e por muitas vezes temos que aproveitar aquilo que nos pode ser oferecido...

Amores serenos e tranquilos findam. Os tempestuosos podem acabar fisicamente mas deixam marcas indeléveis. É na tragédia que mora a beleza, pois é a partir do risco do fim que acabamos valorizando mais cada minuto junto a pessoa amada...

Para mim, amores tranquilos não tem graça, não possuem o poder de arrepiar os ossos ante a presença de nossa metade-ímpar. Ímpar no sentido de avulsa, que pode se encaixar hoje e amanhã ir se encaixar em outras paragens... porque não pertencemos a ninguém além de nós mesmos...

Como Gutierrez, quem sabe é meu carma amar atormentadamente, com sofreguidão, na urgência de que o depois pode não chegar? Viver intensamente cada momento como sendo o último, valorizar o que nos é dado, eternizar o inevitável que é o efêmero da existência... 

Ainda não tenho 62 anos como meu querido escritor cubano tinha ao dar essa entrevista... Mas sigo caminhando, aos trancos e tropeços dos meus 31 amando apaixonadamente o amor, a vida... enquanto ela ainda me resta... num bolero contínuo...



10

Quote - Rainer Maria Rilke

"O amor é a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes." Rainer Maria Rilke


10

[Parceria] Avec Editora



Com muita satisfação venho anunciar a nova parceria do blog Torpor Niilista com a Avec Editora. Suas publicações tem grande peso no mercado editorial brasileiro, principalmente no gênero de Fantasia. Relativamente jovem, criada em 2014, já mostrou a que veio lançando Rio: Zona de Guerra, que teve seus direitos vendidos ao cinema. Além dela, a Avec lança em seguida o quadrinho Beladona, ganhador do prêmio HQ Mix.

Hoje são mais de 25 titulos publicados e eles prometem trazer ainda mais material de qualidade para o leitor brasileiro. Foi com regozijo que avistei o nome do blog entre os parceiros selecionados. 
Espero que tenham curtido a novidade e em breve trarei mais novidades a respeito do catálogo, eventos e lançamentos...




Para ficar por dentro das novidades da Editora, visite e siga as redes sociais da Avec...


Beijos e até a próxima...

11

Canção de Amor - Rainer Maria Rilke

"Como hei-de segurar a minha alma
para que não toque na tua? Como hei-de
elevá-la acima de ti, até outras coisas?
Ah, como gostaria de levá-la
até um sítio perdido na escuridão
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita, quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma só nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção."

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Rio-Paris-Rio - e a descoberta de si nos entremeios...

Lançado recentemente pela Editora Rocco, o romance Rio-Paris-Rio da escritora brasileira Luciana Hidalgo nos conta a história de Arthur e Maria, brasileiros que vivem em Paris, fugindo da ditadura que se instalou no país nos anos 1960. Eles se encontram pela primeira vez num momento que a capital francesa está sendo bombardeada por manifestações estudantis no ano de 1968. Maria estuda Filosofia na Universidade de Sorbonne, e Arthur é um artista de rua.


O encontro de ambos se dá em meio a conflitos políticos, e se desenrola para uma convivência repleta de poesia marginal, num ambiente efervescente de cultura, protestos e - num paradoxo - frio como os invernos europeus costumam ser. Se desdobra perante seus olhos uma Paris rica, luxuosa mesclada com a Paris dos boêmios, artistas que vivem embaixo de pontes e revolucionários que - por muitas vezes - não fazem ideia do que clamam, mas ainda assim não se encontram parados no Tempo...

Maria é neta de um militar, desses que transformaram o Brasil num país que se cala pelo medo de represálias. Seus pensamentos são distintos de seu avô. Arthur também tem familia no Rio de Janeiro. Os protagonistas que de inicio eram turistas, acabam se tornando imigrantes na terra francesa. Mas o estado de não-pertencimento se faz presente a todo momento, eles têm consciência de que nunca pertencerão àquela terra, por mais que admirem sua arquitetura, sua música e filosofia...

No fim das contas, não passam de intrusos. Eles acabam lembrando um ao outro do país a que pertencem. São portos-seguros entre si, já que tão cedo não podem retornar a capital carioca... 


A escrita de Luciana Hidalgo tem um quê de poética, mescla bem o romance dos protagonistas com uma excelente ambientação geopolítica e histórica. Sua narrativa é sensível e profunda, envolvendo o leitor e fazendo com que ele se sinta um 'estrangeiro familiar' dentro do enredo... É possível respirar o ar parisiense nas folhas de Rio-Paris-Rio tal a sensação veemente que ela nos passa...

"Tantas estradas retas, curvas, encruzilhadas, tantas peregrinações, solidões, distâncias, e o mundo termina aí, no umbigo de Maria, corpo-cidade, corpo-exílio."




Vencedora do Prêmio Jabuti, Luciana nos agracia com um romance único, que traz peso e leveza, - a liberdade de descobrir juntos o Velho Mundo e o sufoco do exílio, entrelaçados com o sentimento de estar num lugar aonde não pertencem...


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