Como nasceu a alegria, por Rubem Alves

| 18 novembro 2017 | 0 Comentários |
Em algum momento eu já falei nesse blog o quanto a escrita de Rubem Alves me enternece. Conheci sua obra através de leituras voltadas para o público infantil mas que servem facilmente para deixar os adultos refletindo, e não poderia ser diferente no livro Como nasceu a alegria.

As pessoas, em sua maioria, costumam evitar determinados assuntos com crianças, a fim de lhes poupar dissabores tão cedo. Mas isso não significa que as crianças não sintam medos profundos, confusos e sem nexo. Os adultos acham que falar apenas no lado bom e feliz da vida resolve alguma coisa. Eu penso que não. 

Nas curtas estórias de Rubem Alves, a exemplo desse título, o autor dá símbolos para que os pequenos falem sobre seus medos. Discorram sobre eles, aprendam com eles para só assim conseguir enfrentá-los, ou em alguns casos, suportá-los quando inevitáveis. 

Uma flor com uma pétala cortada por um espinho. Crescendo num jardim onde só haviam flores perfeitas e intactas. Seguindo a ordem natural das coisas, a natureza conspira e trabalha para que nada desequilibre o ambiente. Os anjos e animais têm suas tarefas diárias a fim de manter a harmonia nos jardins. 


Flores vaidosas, cheias de si, sem cortes ou arranhões para lhes tirar a bela aparência. Todas acreditavam ser a mais perfeita entre as outras. A vaidade as impedia de ouvir a opinião de suas companheiras. Belas mas vazias. A flor de pétala cortada não se incomodava com sua pequena 'imperfeição.' Vivia feliz e alheia àquele detalhe, pois não lhe doía. Mas as outras flores passaram a vê-la de forma esquisita, ao ponto dela começar a se enxergar esquisita, à margem das demais. Sendo assim, a tristeza lhe invadiu e ela chorou. 

Suas lágrimas desencadearam uma sequência de acontecimentos envolvendo outros seres da natureza. A tristeza da flor chegou até Deus. E tudo foi surgindo a partir dali... As coisas iam se moldando e a florinha nunca pensou que todos se compadeceriam dela... E um belo e emocionante milagre aconteceu.

A alegria surgiu da tristeza, do choro, da superação. Da importância de se querer bem e de enxergar o quanto as pessoas que amamos nos amam também. É a elas que devemos ouvir, e não a um punhado de seres que não suportam nossa aceitação e felicidade. Deixar doer para saber florir... E deixar nosso perfume se espalhar pelo mundo, atraindo a alegria para perto da gente...


Memória de minhas putas tristes

| 16 novembro 2017 | 0 Comentários |
"No ano dos meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem."

Eis a premissa que dá inicio a essa deliciosa e envolvente leitura do grande escritor colombiano Gabriel García Márquez. Memória de minhas putas tristes é um relato delicado, por vezes divertido de um narrador no auge de sua velhice, que resolve se aventurar com uma desconhecida, a fim de se presentear com sexo no aniversário de noventa anos. Mas algo inusitado acontece e ao ver a garota dormindo na cama fica com receio de acordá-la, e acaba por se apaixonar por ela...

Ao longo da narrativa, vamos acompanhando a trajetória desse 'romance' e o cotidiano do protagonista, que mesmo em idade tão avançada, possui um espírito jovem e por vezes impetuoso. Cronista de um jornal, sua vida foi regada a sexo e prazeres, e a essa altura da vida acaba por descobrir o amor.

Ao conhecer Delgadina, ele se dá conta que dormir ao lado de quem se ama sem necessariamente ter contato sexual pode lhe trazer consolo e felicidade. Memória de  minhas putas tristes nos coloca em reflexão acerca do que é ser velho. Envelhecer não é um problema para o protagonista, ele mostra que a vida não acabou quando alcançamos a 'terceira idade.' Enquanto se respira, ainda há muito a se aproveitar da vida...

Ele descobriu novos significados que valeram por uma vida inteira antes de conhecer a adolescente adormecida num quarto de bordel. O livro é uma ode à existência e ao amor. Depois de anos desperdiçados em festas e fugindo de amores, deitando com prostitutas que ele poderia descartar no momento seguinte, Delgadina lhe traz um sentido para continuar vivendo.

A escrita poderosa de Gabo é fluída e cativante. Capítulo por capítulo, somos surpreendidos com um sentimento de torcida para que haja a consumação do amor que abrasa o coração do velho jornalista. O amor que ele passa a nutrir pela adolescente é a 'cereja do bolo' de sua vida. Ele redescobre o amor por si mesmo, pelo vigor que a idade avançada não lhe tirou e nos envolve com a ternura que despeja sobre o corpo nu e entorpecido de Delgadina...

Memória de minhas putas tristes é encanto, é a escrita de Gabriel refinada e com sabor de sonho e céu azul... é o amor, puro e simplesmente possível de acontecer em momentos de nossa jornada que já não julgávamos possível... e ele vem, e brota. nos torna vivos novamente...



Caixa de Correio Outubro/2017

| 14 novembro 2017 | 1 Comentários |
E mais uma vez acabei atrasando a caixa do correio... confesso que ando meio preguiçosa para postar essa coluna e pretendo mostrar os recebidos do mês em formato de vídeo, pra dar uma movimentada no canal do blog, o que acham da ideia? Mas por enquanto, vai saindo no formato convencional... 

Em outubro consegui comprar alguns títulos bem interessantes. Teve bienal do livro aqui em Pernambuco, então aproveitei as promoções para adquirir obras que há muito estavam em minha lista de desejados... Eis o que andei acrescentando ao acervo...



 Fiz as compras acima na banca de revistas aqui da cidade. Esses dias sai resenha do livro de Chimamanda aqui pra vocês...

Andei comprando algumas obras no Sebo do Dedê, como de praxe. Vieram húngaros, Rubem Alves, quadrinhos, histórias infantis... alguns já foram lidos e as resenhas serão publicadas aos poucos... aguardem...



No primeiro dia que visitei a Bienal comprei mangás de Peach Girl, a biografia do Joy Division, livros sobre cinema e quadrinhos. Confira as resenhas de Os Bórgias e O fotógrafo volume um nas postagens de novembro...


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 As compras que fiz no estande da CEPE editora mereciam destaque especial. Acabei ganhando um bloco de anotações como brinde, além de marcadores. Por indicação de um amigo, comprei O massacre da Granja São Bento e por recomendação de outras pessoas, trouxe os livros Viagem ao Brasil, A recriação do paraíso, Mobilidade urbana no Recife e seus arredores e Ruas sobre as águas. Todos os títulos são de minha área acadêmica, História...



Visitei a bienal em seu último dia e acabei garimpando relíquias por preços bem em conta... Veio Carlos Fuentes, Julio Cortázar, Michel Laub, Dalton Trevisan, Dias Gomes, Cassandra Rios, Fátima Quintas, entre outras preciosidades...



Mais uma visita ao sebo me rendeu edições como As flores do mal, Os cus de Judas, alguns quadrinhos e Índios e jesuítas nos tempos das missões...


Ganhei de uma colega de trabalho um exemplar de Auto de São Lourenço, do Padre Antônio Vieira. Há muito foi lido, mas pretendo realizar uma breve releitura a fim de expor meus comentários sobre a obra aqui no TN...



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Consegui no sebo [novamente] os livros Don Frutos e Viagem ao redor da lua. Assim que ler, resenho para vocês...


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Ganhei do meu amigo sebeiro o livro infantil Como nasceu a alegria, do meu querido Rubem Alves. Li na infância e pude revisitar seus versos e me encantar novamente com suas reflexões...



Fechando o mês com a Chave Mestra adquiri os livros Folhas na relva, de Walt Whitman e dois títulos de Gabriel García Márquez: Doze contos peregrinos e Memória de minhas putas tristes. Este último já foi lido e logo sai o post falando sobre ele por aqui...

O que eu consegui hoje numa troca no sebo... #folhasderelva #waltwhitman #martinclaret #sérieouro #poetry #leavesofgrass

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Já ia esquecendo: a compra que fiz na Estante Virtual, do livro A tela demoníaca. Trata-se de um livro que fala sobre o Cinema Expressionista que eu li na época de faculdade, quando paguei uma cadeira sobre História do Cinema... Vale a releitura pra ser comentado...





Vocês já devem estar enjoados de tanta coisa mas ainda tem um mangá de FullMetal Alchemist comprado na banca de revistas... Juro! Esse é o último do post ehhhee




Então... FIM. Espero que tenham gostado. Me contem nos comentários quais desses vocês gostariam de ver resenhados... Beijos e até a próxima ;)




Escritos em verbal de ave

| 13 novembro 2017 | 14 Comentários |
A poesia se despedia de Manoel de Barros em 13 de novembro de 2014. Mas seus versos se imortalizaram devido ao seu talento em nos contar histórias. Escritos em verbal de ave é uma obra singular, que trata com lirismo sobre um tema delicado e triste: a morte. 




Bernardo é uma criança, já conhecida dos leitores de Manoel em outros de seus textos. Mas nessa obra em questão, estamos a nos despedir do menino Bernardo. De maneira sutil e poética, a criança se vai para sempre. Impossível não sentir um oco no peito a cada frase do livro, que se esvai como a vida rumo ao seu fim...

"Deixamos Bernardo de manhã
em sua sepultura
De tarde o deserto já estava em nós."

Publicado pela Editora Leya, o livro possui uma diagramação e formatos peculiares. Apesar de ser um texto breve, de apenas 14 páginas, nos presenteia com aforismos e ilustrações que parecem nos levar a adentrar num sonho. Conhecemos a alma de Bernardo, de Manoel e encontramos a nossa própria entre os delírios do livro...

"Pedaço de mosca no chão:
meu abandono!"

Escritos em verbal de ave toca, comove, enternece, embriaga. É a voz de Manoel nos saudando 'do outro lado', despedindo-se junto com o entardecer que presenciamos dia após dia...



O segredo de Heap House

| 11 novembro 2017 | 6 Comentários |
Recentemente lançado pela Bertrand Brasil, O segredo de Heap House é uma fantasia juvenil que conta a história de uma mansão estranha, localizada sobre um mar de itens perdidos coletados na cidade de Londres. Esse local é chamado de Cúmulos, e estranhos e bizarros personagens convivem entre suas paredes divididos em duas categorias: os Iremonger puro-sangue e os Iremonger mestiços, que servem de criados para os puro-sangue, que habitam a parte superior de Heap House, enquanto para os mestiços sobram os subterrâneos. 


Cada personagem possui um objeto de nascença, e devem cuidar muito bem dele. Algo grave pode acontecer caso você venha a perder seu objeto... Clod é um Iremonger com a incrível capacidade de ouvir os nomes dos objetos de todos que habitam a mansão. Seu objeto é um tampão chamado James Henry Hayward. Clod percebe que existe no sótão da mansão um objeto que grita de maneira feroz o nome Robert Burrington, mas o motivo de sua ira o pequeno Clod desconhece... 

Surge em sua vida uma pequena orfã chamada Lucy Pennant, que é designada a serviçal mas se recusa a seguir as regras que lhe são condicionadas. A curiosidade em explorar os locais inacessíveis para pessoas como ela faz com que ela encontre Clod e uma proibida amizade surge entre os dois. Mas tocar num puro-sangue é contra as regras, Lucy pode se arrepender amargamente disso...

A própria mansão ganha ares de personagem, com suas enormes escadarias, passagens secretas, sua arquitetura labiríntica e as criaturas peculiares que ali habitam. Uma tempestade se forma no exterior de Heap House e os Cúmulos parecem transbordar ameaçadoramente, causando o caos entre os moradores da mansão...

Escrito por Edward Carey, o livro conta também com ilustrações do autor a cada capítulo, ajudando o leitor a identificar melhor os vários personagens da história. Trata-se do primeiro volume da trilogia Crônicas da Família Iremonger e pode agradar alguns leitores que apreciam histórias com certo clima mórbido mesclado a elementos de Fantasia. Alguns porque eu particularmente não me senti apegada ao roteiro, nem a narrativa dos personagens e os elementos sombrios da trama me soaram demais superficiais. Mas trata-se de uma questão minha, por não me conectar com a obra como um todo...

Em suma, pode agradar ou não. Pra mim, beirou o 'entediável'. Foi sofrido concluir a história. Mas certamente pode ser uma boa e interessante leitura para quem se envolver em sua estranheza...


╬† Literatura no Mundo ╬†

╬† Autores ╬†

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